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Clamor por avivamento espiritual
Pedro Liasch Filho

 

A história do movimento pentecostal que originou as Assembléias de Deus, iniciado na rua Azuza, em Los Angeles, Estados Unidos, com manifestações do poder de Deus, curando enfermos e batizando os crentes com o Espírito Santo, repetindo-se os feitos em Belém do Pará, com a implantação dessa denominação, no Brasil, foi sem dúvida, um fenômeno evangélico, que, ocorrido no começo do século 20, impressionou os meios evangélicos tradicionais.

Por outro lado, um movimento denominado clamor por avivamento espiritual, começado na Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil, em São Bernardo do Campo, SP, na década de 1940, foi uma poderosa semente pentecostal, que germinou, cresceu e produziu um grande reavivamento evangélico em nossa pátria.

Tudo aconteceu quando três jovens seminaristas da referida Faculdade Metodista oravam clamando pelo poder do alto. Mário Roberto Lindstrom, 20 anos, Osvaldo Fuentes, 19 anos, e Alídio Flora Agostinho, 18 anos, na verdade, oravam por um avivamento na própria Igreja Metodista, da qual eram membros, e para a qual pretendiam trabalhar como pastores, depois de formados. Eles não sabiam, porém, que Deus, interferindo nos planos e destino deles, mudaria a própria história da Igreja evangélica no Brasil.

Além disso, eles se tornaram homens de Deus e, batizados com o Espírito Santo, na própria Faculdade, em meados da década de 1940, foram usados poderosamente para liderarem um movimento do Espírito, que se espalhou por toda a nação. Na verdade, foi outro fenômeno evangélico que repercutiu entre nós, no tempo e no espaço, cujo reflexo ainda hoje se faz notar.

Devido à inusitada experiência, ferindo os padrões conservadores da Igreja Metodista, tendo sido descontinuados, os três jovens tiveram de deixar a Faculdade.  Primeiro saiu Mário, que foi para Jaçanã; depois, em 47, saíram, Osvaldo Fuentes, que voltou para Piracicaba, sua cidade de origem, e Alídio, que ficou em Jaçanã com Mário.

Em Piracicaba, ocorreu um caso chocante com Osvaldo, que, no entanto, serviu para fortalecer o movimento pentecostal e promover ainda mais o Reino de Deus. Ele descobriu que estava com tuberculose, uma doença, na época, incurável, comprovada por todos os exames conhecidos, e caracterizada por uma pequena caverna no pulmão direito, mostrada claramente por uma bateria de exames radiográficos.

Internado no sanatório de São José dos Campos, em 27 de dezembro de 1948, constatou-se que ele estava piorando, pois, com o inadequado tratamento de compressão de oxigênio, feito em Piracicaba, a caverna do pulmão já estava insuflada, apresentando um diâmetro de quase dois centímetros. Além disso, ele estava enfraquecendo muito, uma vez que tudo o que comia ele vomitava.

Tendo já passado quase um mês de internamento, percebendo, porém, que piorava cada vez mais, ele escreveu uma carta aflitiva ao pastor Mário Lindstrom, que já estava trabalhando no Reino de Deus, em Vila Mazzei, São Paulo, capital, em companhia de Alídio Flora Agostinho. Ele disse na carta que se tivesse de partir, não queria morrer no sanatório, mas trabalhando para Deus, pregando o Evangelho de Cristo.

Respondendo à carta, Mário combinou que iria ao sanatório no dia 1o de fevereiro de 49, a fim de orar por ele. Ainda pediu que a igreja, entre meio-dia e 13 horas daquele dia, permanecesse de joelhos, orando também, pois essa seria a hora prevista em que ele estaria no sanatório, impondo suas mãos sobre Osvaldo, em nome de Jesus, ungindo-o com azeite, conforme as Escrituras. E assim aconteceu.

Contou-me Osvaldo que depois da oração do Mário e da igreja concomitantemente, ele vomitou tudo o que tinha no estômago. Mário disse-lhe que acreditasse que aquele vômito seria o último, pois estaria sendo expelido do seu pulmão todo o bacilo de Koch que lá havia.

Não muito depois, tossiu e escarrou tanto que praticamente todo o catarro saiu dos seus pulmões. Logo se sentiu bem e, tendo fome, comeu pastéis de carne, um lanche substancioso que era servido aos internos. Desde então, nunca mais vomitou e foi melhorando cada vez mais.

Feito o primeiro exame, o de escarro, em 12 de março, portanto 42 dias depois da oração, para surpresa dos médicos, o resultado foi negativo. Osvaldo continuava melhorando, e até mandou sua fotografia ao Mário, onde aparecia mais gordo e com feições saudáveis.

Em 2 de abril, 20 dias depois, foram feitas outras radiografias. Novamente, para espanto dos médicos, estes exames foram negativos. Não se dando por satisfeitos, os médicos ainda fizeram testes de suco gástrico, que também resultaram negativos.

Finalmente, para terem absoluta certeza de que Osvaldo estava curado, inocularam o suco numa cobaia. Como ela não morreu, sacrificaram-na e constataram pelos exames de laboratório que ela estava inteiramente sã. Portanto, Osvaldo estava plena e miraculosamente restabelecido. Até hoje ele conserva as radiografias, feitas antes e depois da recuperação, e outros documentos para provar que ele foi inquestionavelmente curado por Jesus.

Não é preciso dizer que este milagre, vivido por um daqueles seminaristas metodistas, os quais foram renovados pelo poder do Espírito, avivou ainda mais a confiança na mensagem pentecostal que eles anunciavam, e que, segundo a qual, Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente, pois Ele salva, cura e batiza com o Espírito Santo.

Tornando-se uma testemunha viva dessa obra completa de Cristo, Osvaldo dava o seu testemunho nas campanhas e nas igrejas, falando entusiasticamente e convicto a respeito de sua cura. Lembro-me de tê-lo visto numa dessas campanhas, na qual falava do milagre, e mostrava as radiografias para provar o que dizia. Isso era maravilhoso, pois, edificando espiritualmente o povo de Deus, bem como comovendo platéias e promovendo conversões, o fogo do céu caía e continuava incendiando os corações.

Daquele movimento, iniciado na Faculdade Metodista, a que eles chamavam de clamor por avivamento espiritual, originou-se a atual Igreja Evangélica Avivamento Bíblico, cujas bases foram assentadas inicialmente em 1947, na Vila Mazzei, São Paulo, capital, pelos pastores Mário Roberto Lindstrom e Alídio Flora Agostinho. Depois, em 48, fundaram a igreja na cidade de Presidente Bernardes e, mais tarde, em Presidente Prudente, ambas no interior de São Paulo.

Em Presidente Prudente, em magnífica campanha de libertação e cura divina, eles foram perseguidos e acusados pelos médicos de serem charlatões, uma vez que oravam pelos enfermos e estes eram curados. Por isso, de maneira ilegal e arbitrária, a polícia, invadindo o templo em pleno culto, os prendeu, deixando-os detidos por uma tarde e toda a noite. Hoje essa denominação está implantada em quase todo o Brasil.

No entanto, foi em 1949, com a vinda do pastor americano Eugene Stubs, e posteriormente, no começo da década de 50, com a chegada dos evangelistas americanos Raymond Boatright e Harold Willams, que o movimento pentecostal se fez notar poderosamente. Lembra o pastor Alídio que o missio­nário Eugene Stubs, como se fosse um João Batista dos novos tempos, pregando memoravelmente em algumas igrejas da capital, tornando propício o ambiente do Espírito Santo, preparou o caminho para que os pastores e evangelistas fizessem explodir esse movimento, inicialmente em São Paulo, e posteriormente em todo o país.

O começo foi na Igreja Presbiteriana do Cambuci, São Paulo, capital, na época dirigida pelo pastor Silas Dias, onde Boatright, com a participação do Pr. Mário Roberto Lindstrom, realizou uma série de pregações pentecostais, tendo ocorrido, naquela igreja, curas divinas e batismos no Espírito Santo. Estes acontecimentos, na verdade, constituíram para aquela época uma verdadeira revolução espiritual.

Depois, o Pr. Mário convidou Boatright para realizar uma campanha em sua igreja, no Jaçanã, onde pregou apenas um dia, ausentando-se depois disso. Com a aglomeração das pessoas, atraídas pela possibilidade de cura de suas enfermidades, o pastor Lindstrom, substituindo Boatright, responsabilizou-se pela continuação do trabalho, que já estava tomado pelo fogo divino, assumindo proporções impressionantes. Além disso, pregou ainda durante quatro dias para milhares de pessoas, com manifestações extraordinárias do poder de Deus, curando enfermos e batizando muitos crentes com o Espírito Santo.

Iniciava-se então o maior movimento pentecostal no Brasil, não só promovendo um reavivamento espiritual em muitas igrejas evangélicas tradicionais, mas também dando origem a outras igrejas cristãs, por exemplo, as denominações evangélicas: Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia, Igreja do Espírito Santo, Igreja Batista Renovada, O Brasil para Cristo, Pentecostal Unida, Cruzada Nacional de Evangelização (hoje Igreja do Evangelho Quadrangular), Igreja Presbiteriana Renovada e muitas outras.

Esse movimento do Espírito, no Brasil, foi testificado pelo grande evangelista e avivalista, o Rev. Edwin Orr, em 1954. A revelação foi feita pelo Pr. Russell Shedd, num artigo sobre o avivamento no Brasil, publicado pela revista Ultimato (set./out./2000). Ele afirma que, nos anos 80, em Chicago, EUA, encontrou na biblioteca especializada da Wheaton Graduate School of Theology um tomo de Edwin Orr com o seguinte trecho: Ao folhear o livro, descobri sua afirmação de que se irrompera um avivamento no Brasil, em 1954. Nessa ocasião, Orr estava pregando, quando houve um derramamento especial do Espírito sobre o povo, convencendo-o de que tal fato superava uma ação comum de Deus.

Nessa época, surgiram as lonas de circo, denominadas Tendas de Salvação, nas quais eram feitas as campanhas evangelísticas. Da primeira delas, instalada pelos evangelistas Raymond Boatright e Harold Willams, na rua Brigadeiro Galvão, Barra Funda, São Paulo, capital, nasceu a então Cruzada Nacional de Evangelização e a Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia.

Da Assembléia de Deus, o diácono Manoel de Melo, despertado pelo movimento, foi para a Cruzada, de onde pos­te­riormente saiu como missionário, promovendo grandes campanhas em praça pública, e fundou a igreja O Brasil para Cristo. Na verdade, ele atraía multidões de pessoas, tornando-se, por isso, alvo de interesse dos políticos da época. Depois realizou um grande trabalho no antigo e famoso Teatro de Alumínio, instalado na Praça das Bandeiras, São Paulo, capital.

Fato curioso é que, na inauguração dos trabalhos de sua primeira tenda de lona, no Parque D. Pedro I, foi convidado de honra o político Adhemar de Barros, a quem Manoel de Melo prometia que seria eleito na eleição seguinte. Foi designado para ser o pregador da noite o pastor Mário Roberto Lindstrom. O tema da mensagem, baseado em João (10.10), intitulava-se: O Ladrão.

Contou-me o pastor Mário que depois do culto, um irmão, perguntando-lhe se ele tinha dom de profecia, disse-lhe que, em sua mensagem, sem o saber, poderia estar fazendo uma alusão à fama de Adhemar de Barros, e que Manoel de Melo ainda seria prejudicado por ele. Observe-se que a reputação do Adhemar era conhecida naquele tempo.

Sabe-se que ele era freqüentador assíduo dos trabalhos de Manoel de Melo, chegando até a almoçar com ele algumas vezes. Acreditando o missionário que o velho político tinha se convertido, e já planejando batizá-lo, revelou isso ao pastor Mário. Este, no entanto, advertiu: Não faça isso. Você vai batizar um demônio manso. Adhemar de Barros é crente com os crentes, espírita com os espíritas e católico com os católicos. Ele só está fazendo política.

Acatando assim o conselho do pastor, Manoel desistiu da idéia. Especula-se, porém, que, pelo fato de não ter sido eleito, Adhemar rompeu com Manoel de Melo, e começou a persegui-lo. Até hoje existe uma forte suspeita de que alguém colocou fogo no tabernáculo do missionário, instalado no Belenzinho, São Paulo, capital, o qual ficou totalmente destruído nesse incêndio. Ter-se-ia cumprido a profecia de que Manoel de Melo seria prejudicado por Adhemar de Barros?

De um modo ou de outro, os acontecimentos que serviram de palco para o surgimento do movimento pentecostal no Brasil, depois das Assembléias de Deus, tiveram início na Faculdade Metodista, em São Bernardo do Campo, com os já referidos seminaristas, hoje, líderes e pastores evangélicos de expressão nacional. Foram eles os pioneiros desse grande movimento do Espírito Santo, que repercutiu em todo o Brasil.

Por incrível ou curioso que possa parecer, de acordo com informação do pastor Alídio, até o surgimento do movimento pentecostal, do qual foram protagonistas, ele e seus colegas, nenhum deles tinha ouvido falar em Assembléias de Deus. Só depois de algum tempo é que eles vieram a conhecer essa denominação.

Com efeito, a obra do Espírito é a mesma, e se manifesta sobrenaturalmente, tanto em Jerusalém, como em Los Angeles, Belém do Pará, São Bernardo do Campo, Cambuci, Jaçanã, Barra Funda, quanto em qualquer outro lugar. Portanto, é justo que assim seja, pois desse modo ninguém poderá dizer que determinado movimento tenha sido cópia do outro. Na verdade, tornando-se frutos do mesmo Espírito, a obra de Deus tem as mesmas características em todos os tempos e em todos os lugares.

Fato notório é que, com os pastores e evangelistas americanos, aqueles seminaristas promoveram um grande reavivamento espiritual em nossa pátria, cuja ressonância ainda se faz notar, não por intermédio das novas igrejas aqui mencionadas, frutos diretos daquele movimento, mas também por meio de suas ramificações denominacionais existentes em todo o país.

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