Home
Introdução
Artigos
Avivamento
Curiosidades
Estudos Bíblicos
Edificação
Igreja Pedra Viva
Jóias Raras
Minhas Reflexões
Ministério Cristão
Novas de Alegria
Seleções Notáveis
Fale Comigo
Recomende
teste
Ministério Cristão
Enviar para um amigo | Versão para impressão | Voltar |  Recomendar
Que tem que ver a palha com o trigo?
Pedro Liasch Filho

Discutia com certo pastor a respeito do grande mal que os ministros infiéis estão fazendo à obra de Deus, quando ele, meio incomodado, admoestando-me, disse que eu não deveria ficar atacando outros pastores, porque, na opinião dele, eu também, como pastor, não era perfeito. De pronto, concordei com ele, pois de fato, como todo ser humano, nós ministros estamos sujeitos a erros e de modo algum somos perfeitos.

O próprio apóstolo Paulo reconhecia que ainda não havia alcançado a perfeição, mas prosseguia para alcançá-la. Assim como ele, nós também, esquecendo-nos das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, devemos prossiguir para o alvo, a fim de ganharmos a coroa da vida, a saber, o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus (Fp 3.12-14). Se pecarmos, porém, devemos ter a humildade de reconhecer o erro, buscar o perdão e retornar ao Caminho.

Em seguida, disse-lhe que, ao falar a respeito de ministros falsificados, não estava me referindo à provável vida pecaminosa em que muitos ministros vivem, o que, diga-se de passagem, não é novidade e tem manchado o ministério de muitos pastores, escandalizando muita gente, em prejuízo da obra de Deus. Referia-me, isto sim, à sua conduta ministerial. Aí, olhando nos olhos dele, fiz a seguinte pergunta: “Quer saber se você tem sido um ministro infiel?”. Um tanto assustado e surpreso, ele quis saber o que eu estava querendo dizer. Prossegui: “Faça um retrospecto de sua vida ministerial, recordando as suas pregações, estudos e palestras durante o ano que passou. Quando foi a última vez que você, do púlpito ou de outro lugar, proclamou as boas novas da salvação em Cristo ou pregou a respeito de santificação, renovação espiritual, vida cristã, volta de Cristo e vida eterna?”.

Desviando o olhar, perguntou-me o que isso tinha que ver com o assunto em questão. Em resposta, disse-lhe que quando o pastor, não se importando com a salvação das almas, deixa de pregar a mensagem essencial do evangelho — as boas novas de que Jesus veio ao mundo para dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28), para nos libertar do pecado e nos conduzir em santificação à vida eterna (Rm 6.22), ou ignora a doutrina da santificação, ainda que seja sincero e esteja pregando outros interessantes temas das Escrituras, não há dúvida de que tal pastor tornou-se também falsificado.

Visando apenas os próprios interesses e levando os homens a crer nas terreais promessas da provisão divina, os pastores infiéis ignoram deliberadamente as celestiais provisões do Calvário para a vida eterna. Já os mensageiros de Deus, sem desprezar as provisões terrenas, têm como alvo principal levar os crentes a tomar posse das provisões celestiais, assegurando-os de que, embora vivam na terra, na dependência das provisões temporais, a sua riqueza eterna está garantida no céu, pois Cristo, como Sumo Sacerdote, adentrou o Santo dos Santos com o próprio sangue e se tornou Mediador deles, dando-lhes a promessa da herança eterna (Hb 9.11-15).

O mensageiro infiel, em figura do pior orientador de todos, não só é aquele que indica o caminho errado, mas também o que deixa de apontar o caminho certo: “Se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniqüidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia” (Ez 33.6).

Um menino de nome Jacinto, certa manhã descobriu-se perdido na própria cidade onde morava. Vendo passar outro garoto, pediu-lhe ajuda, explicando que morava na praça da Paz, mas não sabia onde ficava. Maldoso, o desconhecido lhe deu uma informação totalmente errada. Seguindo aquela orientação, Jacinto ficou mais confuso ainda e continuou perdido. Desesperado, sentou-se na calçada, quando viu passar do outro lado um jovem, a quem pediu a mesma informação. O moço, porém, disse-lhe que não só não tinha tempo a perder, dando-lhe informação, como também o censurou por estar perdido na própria cidade.

Já cansado, decepcionado com aquela atitude e inconformado por continuar perdido, Jacinto sentou-se novamente, abaixou a cabeça e começou a chorar. De repente, notou que alguém estava à sua frente. Era o senhor Remo, um professor que fazia a sua caminhada matinal. Ele perguntou ao menino por que estava chorando, e a resposta foi desesperadora. Nesse momento, erguendo-o da calçada e cobrindo-o de afagos, o professor disse-lhe carinhosamente: “Não chore. Eu mesmo o levarei à praça da Paz”.

Na verdade, para o menino, aquele homem foi o próprio caminho. A Bíblia diz que Jesus é o Caminho. Na verdade, um novo e vivo Caminho (Hb 10), através do qual temos a entrada no Reino de Deus. Tendo adentrado o santuário interior em nosso lugar e oferecendo-se por nós, tornou-se Jesus Sumo Sacerdote para sempre (Hb 6.20).

Se Jesus é o Caminho, os ministros de Cristo são os mensageiros do Caminho. Caso não o sejam, são pastores falsificados. São ministros denominados servos de Deus, porém vivendo a serviço do Diabo. Pois, ao invés de indicar o Caminho aos homens, anunciando-lhes o evangelho, a mensagem da cruz, a pregação de que Cristo salva e santifica, assim conduzindo-os para o céu, eles, omitindo a Palavra da verdade, estão desviando as almas para o inferno.

Muitos pastores, além de deixar de lado o evangelho, intrometem-se em outras searas, como a da ciência, da filosofia, da psicanálise, da psicologia ou da política. Ainda que o pastor autêntico domine outras correntes de pensamento, o tema de suas pregações, em todo tempo, tem de ser necessariamente evangélico, pois ainda que seja cientista, filósofo, psicanalista, psicólogo, ele não é político, muito menos político-partidário, senão ministro de Cristo.

Declarou Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios que nada decidiu saber entre aqueles crentes a não ser Jesus Cristo, e este crucificado. Embora fosse conhecedor de outros ramos da ciência, instruído na cultura e na filosofia greco-romana, aluno do famosíssimo rabino Gamaliel, a sua pregação nunca foi outra coisa senão evangélica e não consistia em palavras persuasivas de sabedoria, mas dependia essencialmente do poder do Espírito, para que a fé dos crentes de Corinto não se baseasse na sabedoria humana, e sim no poder de Deus (1Co 2.1-5).

O desejo do Pai é que os seus servidores sejam dignos do Reino (2Ts 1.5). Assim como nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, pois a sua obrigação é servir aquele que o alistou, e como nenhum atleta é coroado vencedor se não competir de acordo com as regras (2Tm 2.4, 5), o servidor do Reino de Deus jamais poderá se envolver em negócios desta vida, pois se requer dele que seja fiel servo de Cristo e encarregado dos mistérios de Deus (1Co 4.1, 2).

Há outros ministros que, eximindo-se de erros, por exemplo, o de se recusar a pregar o tema adequado no lugar certo, se transmudam em ministros circunspectos que, à semelhança dos diplomatas seculares, são cautelosos em suas declarações não só para não causar desconforto aos seus interlocutores, como também para ficarem confortáveis e de bem com todos em qualquer circunstância.

A diferença entre o pastor diplomata e o pastor autêntico, como diz um antigo texto cuja autoria desconheço, é que se o diplomata diz sim, quer dizer talvez; se diz talvez, quer dizer não; e quando diz não, não é diplomata. Já o pastor autêntico, ao contrário do diplomata e na condição de ministro da Palavra, quando diz sim é sim, quando diz talvez é talvez, e quando diz não é não. “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mt 5.37).

Paulo aos crentes de Éfeso pediu que orassem por ele, para que, quando viesse a falar, recebesse a mensagem de Deus a fim de que, destemidamente, tornasse conhecido o mistério do evangelho, do qual era embaixador e prisioneiro (Ef 6.20). A Timóteo disse: “Conjuro-te [...] que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.1, 2).

No entanto, a Bíblia faz questão de ressaltar o contraste entre o falso e o verdadeiro profeta, esclarecendo que se o profeta tem um sonho, que conte o sonho, e o que tem a Palavra de Deus, que a proclame com fidelidade. E perguntando o que tem a palha que ver com o trigo posiciona-se contra os profetas que pronunciam falsidades, pois com as suas mentiras irresponsáveis desviam o povo do caminho de Deus. Mesmo sem ser enviados ou autorizados por Deus, profetizam sonhos falsos e não trazem benefício algum ao povo (Jr 23.28, 32).

A expressão “que tem a palha que ver com o trigo” significa que, assim como o sonho falso está para a verdadeira palavra profética, a palha está para o trigo. Ou seja, somente o trigo tem valor, a palha para nada presta senão para ser queimada. Não é sem razão que em outra passagem a Palavra diz que, se o profeta tiver a ousadia de falar em nome do Senhor algo que ele não disse ou de falar em nome de outros deuses, tal profeta terá de ser morto (Dt 18.20).

Semeadores radicais

Já constatamos que uma das razões por que foi decisiva a participação do semeador na colheita da parábola é ser ele profundo conhecedor das regras da lavoura. Ele conhecia a terra, ou seja, o tipo de solo de que dispunha, bem como sabia quando e como prepará-lo para receber a semente. Ele também conhecia a semente, que ele mesmo selecionara para lançar à terra; conhecia o clima — logo, era sabedor da época apropriada para plantar e colher; conhecia a técnica e os instrumentos operacionais necessários para realizar o trabalho.

Portanto, deve o semeador saber o que, onde, quando, como e por que fazer em todos os casos e em qualquer situação. Resumindo, deve ser competente. De fato, o procedimento do semeador na lavoura peremptoriamente precisa ser radical, ou seja, de raiz, de base, assentado nos fundamentos da agricultura.

De igual modo, no Reino de Deus, os ministros necessariamente devem ser radicais, a saber, precisam obrigatoriamente não só conhecer os princípios da lavoura do Reino, isto é, os ditames da Palavra de Deus no tocante ao Reino, mas ainda colocá-los em prática, nunca fugindo às suas regras imutáveis, uma vez que também no Reino não existe meio-termo. Ou vivemos segundo o Espírito (Gl 5.16), lutando por Cristo, ou andamos conforme a natureza humana, vivendo ativa ou passivamente contra Cristo, ainda escandalizando o Reino.

Observe-se que tudo que é radical não tem meio-termo. Ou é ou deixa de ser; ou faz ou deixa de fazer; ou segue as regras ou deixa de segui-las. É como na Bíblia: Sim, sim; não, não. São princípios que não podem ser alterados, sob qualquer pretexto ou hipótese, pois do contrário, provocariam total fracasso na produção da lavoura. O maior e o mais grave erro dos ministros de hoje é deixar de aplicar as regras da lavoura do Reino, explícitas nas Escrituras.

Observe-se que uma das características do cristianismo, que não tem meio-termo, é que, tornando-se a única religião que se baseia exclusivamente na Palavra de Deus, é também — e até por isso — uma religião radical, porém, radical no sentido estrito da palavra, ou seja, de raiz, originário, completo, genuíno, o contrário do meio-termo, da condescendência, do conluio, da transigência.

Assim, designado para nortear o rumo da igreja, o ministério cristão não pode jamais proceder com transigência, em conluio ou de modo condescendente à moda do mundo. Além disso, no Reino de Deus não existe acomodação conforme tal ou qual situação, como habilmente fazem os políticos em seu jogo de interesses. Albert Einstein, antes de ficar famoso com a teoria da relatividade, disse que se ela obtivesse êxito comprovado, a Alemanha afirmaria que ele era alemão, e a França o declararia cidadão do mundo. Caso contrário, a França diria que ele era alemão, e a Alemanha sustentaria que ele era judeu.

Já no Reino de Deus não há lugar para sutilezas. Na condição de religião de raiz, o cristianismo autêntico não só não permite jogo de interesse, como também não aceita o meio-termo. Aliás, aqui é santidade ou mundanismo; servo de Deus ou servo do Diabo; trigo ou joio; salvo ou perdido; céu ou inferno.

Observe-se que, em seus ensinamentos, Jesus foi sempre radical. Para ele é sim, sim; não, não (Mt 5.37), luz ou trevas. Ele disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). Esclareceu ainda que o cristão deve ser espiritualmente quente ou frio. Ele conhece cada um de nós e sabe em que situação nos encontramos, por exemplo, se espiritualmente estamos subindo ou descendo.

Contudo, para aquele que está situado no meio-termo, ou seja, não está subindo nem descendo, não é quente nem frio, Jesus faz esta dura advertência: “Quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3.15, 16).

Para o cristianismo, ou se anda pelo caminho estreito que norteia para a vida ou se vai pelo caminho largo que conduz à morte. Jesus recomenda: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.13, 14).

Na religião verdadeira só existem dois lados: o lado do Reino de Deus e o lado do reino das trevas. Por isso, Jesus afirmou que quem não é por ele está contra ele, e quem com ele não ajunta espalha (Lc 11.23). Quer isso dizer que se não estivermos com ele, ajuntando frutos espirituais no lado do Reino de Deus, estaremos contra ele, espalhando os frutos da carne no lado do reino das trevas.

Para Jesus e os seus ministros, não há meio-termo. O erro do pastor da igreja de Éfeso, por exemplo, foi que ele se tornou negligente a respeito do amor a Cristo (Ap 2.1-10). Ele foi elogiado por sua dedicação ao trabalho, por sua perseverança nas provações e até por sua defesa doutrinária. Porém, tendo de um lado o amor a Cristo e do outro a apostasia, ficou no meio-termo do ativismo cristão. “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2.5). Ele seria removido de suas funções e se tornaria inoperante no Reino de Deus.

Jesus exige que, para continuar ministrando no Caminho, os seus ministros abandonem as próprias veredas ou deixarão de servir a Cristo para permanecer nos próprios caminhos. Isso ficou bem claro quando ele disse: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” (Mt 12.30).

Enviar para um amigo | Versão para impressão | Voltar |  Recomendar