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O estigma da Janela 10/40
Pedro Liasch Filho

Observe-se que os erros, as distorções e, conseqüentemente, a decadência que hoje se percebe em proporções assustadoras na lavoura do Reino não são de agora: vêm de longe, dos primórdios da igreja, quando os semeadores de Cristo, depois de haver feito florescer maravilhosamente a obra de Deus, apostataram da fé, vindo a ser a causa do desaparecimento do cristianismo exatamente onde ele nasceu, isto é, dentro do quadrilátero hoje denominado Janela 10/40.

Antigamente chamada Cinturão de Resistência, a Janela 10/40 constitui um quadrilátero situado entre 10 e 40 graus ao norte da linha do Equador. Começando no Norte da África, passa pelo Oriente Médio, Índia, China, e termina no Japão. Corresponde a um terço da área total da terra, com dois terços da população mundial, ou seja, cerca de 3 bilhões de habitantes.

Encontra-se ali o maior reduto dos adeptos de religiões anticristãs, o maior ajuntamento de povos do planeta declaradamente inimigos do cristianismo, por exemplo, muçulmanos, hindus e budistas. Vivem ali cerca de três bilhões de pessoas, não só empobrecidas de corpo e alma, mas ainda encarceradas nas trevas do pecado, sem nunca ter visto a luz do evangelho, as boas novas de salvação. Não é de admirar que ali tenha sido instalado o forte de resistência de Satanás ao cristianismo.

De acordo com uma reportagem da revista Enfoque (set./2004), citando fontes missionárias e o representante de A Voz dos Mártires, Todd Nettleton, a minoria cristã dessa região é a mais perseguida de todo o mundo. Dos trezentos cristãos que morrem por dia no planeta perseguidos por causa de Cristo, cerca de 80% vivem na Janela 10/40. A maior intolerância ocorre na Indonésia, no Laos, no Afeganistão, na China, no Irã, na Índia e no Egito.

Na Indonésia, onde a escalada do terror contra os cristãos aumenta cada vez mais, foram destruídas mais de 240 igrejas evangélicas nos últimos cinco anos. No início de 2004, durante um culto vespertino, um pastor e um ministro de louvor foram assassinados com rajadas de metralhadoras por um grupo de muçulmanos.

Na China, uma conferência de líderes evangélicos cujo propósito era treinar obreiros foi interrompida pela polícia militar chinesa sob alegação de que se tratava de reunião ilegal. Todos foram presos. Também na China, a polícia militar prendeu uma mulher de 34 anos, espancando-a até a morte tão-somente porque distribuía Bíblias na cidade de Tongzi, província de Guizhou. Alguns meses depois, a mesma polícia prendeu uma camponesa de nome Jiang Zongxiu. Eles a torturaram, aplicando-lhe repetidos chutes por todo o corpo.

No Iraque, distrito de Al-Dawasa, em Mossul, integrantes do grupo islâmico Wahhabbeen assassinaram o dono de um restaurante só porque servia comida a cristãos americanos. Depois de matá-lo, os assassinos extremistas agarraram o sócio dele, cuja vida fora poupada por ser muçulmano, e lhe deceparam as mãos.

Na Índia, o pastor Letthang Gangte, da Igreja Evangélica Congregacional da Índia, escapou da morte por milagre, depois de ter sido violentamente atacado por um grupo de militantes hindus, cuja missão é “desencorajar” grupos tribais de se converterem ao cristianismo. A casa do missionário foi invadida de madrugada. Os fanáticos espancaram-no nas costas e na cabeça e lhe esfaquearam o estômago. A esposa do pastor foi ferida na cabeça e nos braços, e duas filhas, de sete e dez anos, sofreram fraturas múltiplas.

No Irã, onde o muçulmano que se converte enfrenta a pena de morte, Yusefi, pastor e supervisor das igrejas Assembléia de Deus na cidade Chalous, às margens do mar Cáspio, foi preso com a esposa e os dois filhos adolescentes só porque pregava o evangelho de Cristo. Na cadeia, Yusefi recebeu ordens para cessar os cultos e deixar de falar de Jesus.

No Afeganistão, onde qualquer pessoa descoberta compartilhando o evangelho é assassinada e onde desde 2003 mais de trinta estrangeiros foram mortos pelo Talibã, um porta-voz desse grupo extremista declarou à agência de notícias Reuters que, na cidade de Awdand, província de Ghanzi, integrantes do grupo arrancaram o pastor Maulawi Assadullah de sua casa e o degolaram pelo fato de ele estar propagando o cristianismo.

Esse é o retrato atual da região que foi o berço do cristianismo!

A Janela 10/40 é um tema que, nas últimas décadas, tem ocupado a mente de milhares de missionários, pastores e líderes cristãos do mundo inteiro, sendo o motivo de centenas de palestras e pregações nos templos, no rádio e na TV, bem como a razão de outras centenas de reportagens e artigos em jornais, revistas e na Internet.

Por essas e pelas razões a seguir, em nenhuma outra região do mundo é tão necessária a proclamação do evangelho de Cristo. A Janela 10/40 é composta de 62 países, a maioria dos quais nunca foi evangelizada, pois, na proporção inversa, trabalham nessa área apenas 8% do total de missionários existentes no mundo. Os seus habitantes, em absoluta maioria, são adeptos das principais religiões não-cristãs do planeta, a saber, hinduísmo, budismo, xintoísmo, islamismo, confucionismo e judaísmo. Só o mundo mulçumano, que se estende do Norte da África ao Oriente Médio, representa quase 800 milhões de pessoas.

Além disso, 82% dos seres humanos mais pobres do mundo vivem nessa região, onde estão algumas das maiores cidades do planeta, como Calcutá (Índia), Bangcoc (Tailândia), Bagdá (Iraque), Pequim (China), Tóquio (Japão), Telaviv (Israel) e Ancara (Turquia).

Em apenas 23 países, do total de 62 dessa região, habitam 2,4 bilhões de criaturas paupérrimas de corpo e alma, representando 47% da população mundial. A maioria desses povos nunca foi evangelizada e vive escravizada pelo pecado. Ainda vitimada pelas guerras, essa gente vive sofrendo com enfermidades, pobreza e calamidades.

Embora alguns países da região sejam bastante ricos, com a maior renda per capita do Oriente, como os países árabes, produtores e exportadores de petróleo do Oriente Médio, são constantes os conflitos étnicos e religiosos, vivendo o povo na maior pobreza, uma vez que a riqueza está concentrada nas mãos dos reis, xeiques e chefes tribais.

Outros, porém, vivem de fato em generalizada miséria material, social e econômica, nas mais precárias condições de vida, pois não dispõem do mínimo necessário para o seu bem-estar, como energia elétrica, água potável e rede de esgoto. Na Índia, por exemplo, 1 milhão de pessoas moram nas ruas, mais de 3 milhões são leprosos e cerca de 500 mil são portadores do vírus HIV.

Ainda na Índia, as mães oferecem o filho primogênito no rio Ganges como oferta aos deuses, e meninas são vendidas para serem prostitutas nos templos hinduístas, muitas das quais são drogadas, torturadas e mortas antes mesmo de chegar à adolescência. As mulheres, na Índia, são tratadas como seres inferiores, de segunda categoria. Por esse motivo, cerca de 5 mil são assassinadas pelos próprios maridos a cada ano.

Fato curioso, porém, que pouca gente conhece, é que na Janela 10/40, mais provavelmente em algum lugar do Iraque, na antiga Mesopotâmia, foi localizado o berço da humanidade, pois muito provavelmente ali se situava o jardim do Éden, onde Deus criou Adão e Eva e os designou não só para usufruir as suas riquezas, mas ainda para povoar a terra e dominar sobre todos os demais seres da criação.

A Janela 10/40 foi também o palco de acontecimentos extraordinários, como, por exemplo, a catástrofe do Dilúvio, a construção e ruína da torre de Babel e a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. Ali também ocorreu o chamamento e a peregrinação de Abraão, o pai da fé, bem como, o maior e o mais incrível êxodo jamais visto em todos os tempos: o resgate de quase 3 milhões de israelitas do Egito.

Foi também o berço da civilização da Mesopotâmia, de onde surgiram os impérios Assírio, Babilônico e Medo-Persa. Essa região, atualmente, é ocupada por Israel, Irã, Iraque, Síria, Líbano, Jordânia e Kwait. O termo “mesopotâmia” significa “entre rios”, uma referência aos rios Tigre e Eufrates, em cujas margens foram encontradas as ruínas da Babilônia, a cidade mais poderosa do mundo antigo, onde foram descobertas pelo arqueólogo Robert Koldewey as ruínas dos Jardins Suspensos — a quarta maravilha do mundo — construídos por Nabucodonosor.

Também a Janela 10/40 foi o berço do cristianismo, pois não só Cristo nasceu, viveu e morreu ali “em resgate de muitos”, como também nessa região foram instaladas centenas de igrejas cristãs, a maioria fundada por Paulo. Segundo o Apocalipse, as sete igrejas às quais Jesus se revelou por intermédio de João, na ilha de Patmos, estavam localizadas na Ásia, província romana situada no lado oeste da atual Turquia — portanto, dentro da Janela 10/40.

Não é sem razão que, do ponto de vista histórico e bíblico, esse quadrilátero terrestre tenha especial significado para os cristãos de todo o mundo. O que, porém, nos deixa chocados e nos comove até as lágrimas é que, depois de ser o berço do cristianismo, a Janela 10/40 tornou-se o cemitério de todas as igrejas cristãs que nela existiam. Começou ali a era histórica da igreja de Tiatira, que, segundo os teólogos, corresponde ao período de apostasia e de trevas por que passou a igreja na Idade Média, durante mil anos, do século VI ao XVI.

Considerando-se que o Jardim do Éden ficava no lugar que hoje corresponde a uma região entre o Irã e o Iraque, conclui-se que as forças do mal que ali, no paraíso, interromperam a vida de Adão e Eva regressaram às suas origens e não só reduziram a nada a igreja primitiva como ainda continuam a resistir às forças do bem — o evangelho de Cristo, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

Ora, diante dos dados estarrecedores a respeito da Janela 10/40 e do fato de que nela o cristianismo foi impiedosamente aniquilado, vindo a se instalar ali o quartel-general de Satanás, para continuar a exercer oposição a Cristo, fica uma angustiante pergunta: por quê? Ainda que aflitiva, essa pergunta tem uma resposta não menos dolorosa. Podemos encontrá-la na própria história das igrejas de então, revelada nos atos de suas representantes, as “sete igrejas da Ásia”, narrados nos capítulos 2 e 3 do Apocalipse, como veremos a seguir.

As sete igrejas da Ásia

Em uma cidade do Rio de Janeiro, havia uma igreja, bastante conhecida e dita moderna, com muita atividade cristã, como eventos musicais, retiros espirituais, evangelismo e assistência social. Defensora fervorosa da sã doutrina, a sua liderança promovia periodicamente conferências e seminários apologéticos, visando combater as heresias no seio das igrejas evangélicas. No entanto, apesar de aparentemente viva, era uma igreja morta.

Descuidando-se de verdades cristocêntricas como o amor a Cristo, a comunhão dos santos e a santificação, a referida igreja foi se desviando da Palavra, a ponto de se tornar irreconhecível como igreja cristã. Transformou-se em uma simples comunidade evangélica, dissociada da Palavra, razão pela qual logo surgiu em seu seio a permissividade moral.

Não é de admirar que até prostitutas em atividade estivessem arroladas como membros da igreja e fossem convocadas pelo ministério para lecionar na escola dominical. O próprio pastor, um belo dia, apareceu em um conhecido programa de televisão, dirigido por um destacado entrevistador, e surpreendeu a todos fazendo apologia do homossexualismo. No dia seguinte, os jornais estampavam em manchetes: “Igreja evangélica é favorável aos homossexuais”.

Tais fatos e coisas semelhantes, na verdade, não estão longe de acontecer, como de fato acontecem no mundo cristão de hoje, cujos seguidores, de modo assustador, apostatam da fé. Isso, contudo, não é da modernidade. Vem dos primórdios do cristianismo. Lembremo-nos, pois, das igrejas da Ásia, onde coisas incríveis aconteciam.

Em certo domingo do primeiro século, provavelmente nos anos de 80, na ilha de Patmos, no arquipélago grego, o apóstolo João achava-se no Espírito, isto é, em estado de êxtase espiritual, quando ouviu atrás de si uma voz forte, como de trombetas, que dizia: “O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia” (Ap 1.11).

Observe-se que os semeadores de Cristo são tão importantes para a obra de Deus que o Senhor Jesus, depois de sua ressurreição e ascensão ao céu, fez questão de aparecer extraordinariamente ao apóstolo João, a fim de se comunicar com os seus ministros, visando instruí-los, adverti-los e até repreendê-los, tanto para conduzi-los em santidade e não deixar que viessem a fracassar no trabalho quanto para evitar o fracasso da própria lavoura do Reino. Jesus, por meio dos pastores, estaria se dirigindo às igrejas a fim de lhes ministrar a Palavra.

Na verdade, todo o livro do Apocalipse é dirigido exclusivamente às sete igrejas da Ásia, região que agora faz parte da Turquia ocidental. No entanto, cada uma delas constitui um tipo de igreja cristã presente em todas as épocas. As sete igrejas foram selecionadas porque, na Bíblia, segundo alguns teólogos, o número sete significa totalidade, assim representando as centenas de igrejas existentes na época e as que viriam a existir em todos os tempos.

Declarando-se conhecedor dos fatos em cada um dos casos e dirigindo-se ao pastor, o anjo da igreja, Jesus avalia o desempenho de cada uma daquelas congregações. Elogia, adverte ou repreende a igreja, chamando-a ao arrependimento e à restauração, conforme a situação em que se encontra. Das sete igrejas, apenas duas, Esmirna e Filadélfia, não são repreendidas nem advertidas, pelo contrário, recebem elogios por sua fidelidade.

Note-se que as instruções dadas ao pastor de cada uma das sete igrejas aplicam-se não só à igreja universal de Cristo, mas também a toda igreja cristã local em todos os lugares e em qualquer época, já que cada igreja local é uma manifestação da única  igreja e deverá incorporar a natureza dessa igreja, como família de Deus regenerada, o corpo de Cristo, a comunhão dos santos sustentada pelo Espírito Santo.

O ministério cristão, sem dúvida, é a parte mais importante da igreja de Cristo, pois dele depende não só o sucesso, como também o fracasso da igreja local onde quer que se encontre no mundo inteiro. Por isso, os semeadores do Reino merecem de Cristo tratamento especial, estrito e diferenciado. Observe-se que em todos os momentos em que Jesus fala às sete igrejas, ele se dirige especificamente ao anjo da igreja, isto é, ao pastor, ressaltando a sua importância no Reino de Deus.

Recorde-se de que à época da visão existiam outras centenas de igrejas, não só na Ásia, mas também em outras regiões dentro e fora da Janela 10/40. Todavia, cada uma das sete igrejas citadas no texto não só representa outras igrejas da época, mas também constitui um tipo de igreja local situada em qualquer época e lugar do mundo, isto é, no decurso da era da graça. É o que Jesus deixa subentendido quando diz, no final de cada carta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Por conseguinte, a situação espiritual das sete igrejas refere-se também aos seus antítipos, isto é, a qualquer igreja de nossa época que apresente características similares a elas. Por isso, ao verificar o caso de cada uma de nossas igrejas, faça o pastor ao mesmo tempo uma análise retrospectiva de sua congregação, verificando os aspectos nos quais se assemelha a alguma das igrejas do Apocalipse. Mas não nos esqueçamos de incluir a nós mesmos no contexto dessas igrejas e de analisar a nossa conduta, pois ela subsiste em nós e nos demais irmãos.

Agora, observe com atenção o tratamento que Jesus dispensa a cada igreja, ou melhor, a cada pastor. Primeiramente, o Senhor se identifica diante de cada um deles e depois, de acordo com cada caso, elogia amorosamente, adverte disciplinarmente ou repreende severamente.

Para a igreja de Éfeso, Jesus se apresenta como as sete estrelas e os sete candelabros. Ao pastor, elogia-o por odiar as más obras dos  nicolaítas e por repudiar os falsos apóstolos, mas o repreende por ter abandonado o primeiro amor. Em seguida, adverte-o a lembrar-se de onde caiu e se arrepender, pois do contrário, o seu candelabro, isto é, a sua autoridade ministerial, será removida. Jesus não faz à igreja de Éfeso nenhuma promessa de recompensa, mas ao crente que permanecer fiel, apesar da decadência espiritual da congregação, garante que será alimentado com a árvore da vida.

Para a igreja de Pérgamo, Jesus é a espada afiada de dois gumes. Quanto ao pastor, Jesus o elogia porque, apesar da presença de Satanás, ele nunca negou a fé. No entanto, repreende-o severamente pelo pecado de sustentar falsas doutrinas, como, por exemplo, a doutrina de Balaão e a dos nicolaítas. Também o adverte a que se arrependa para não ser visitado com a espada de Cristo. Do contrário, com essa espada o Senhor combaterá a liderança das falsas doutrinas, o que atingirá também a própria igreja, fazendo-a sofrer. Ainda que a igreja não receba nenhuma promessa de recompensa, ao crente que permanecer fiel, apesar de já estar a própria igreja decaída, Jesus promete o maná, uma pedra branca e um novo nome.

Para a igreja de Tiatira, Jesus é o Filho de Deus, com olhos como chamas de fogo e os pés como bronze. Embora elogiado por praticar boas obras e ter fé, o ministro da igreja é duramente repreendido pelo pecado de tolerar a prostituta Jezabel, permitindo que ela, como professora, ministre ensinamentos na igreja. Ainda é advertido a que aproveite o tempo que lhe resta para se arrepender, pois do contrário, além de não ter nenhuma promessa de recompensa, a igreja será prostrada e passará por tribulações. Porém, ao crente fiel, apesar da decadência da igreja, o Senhor promete autoridade sobre as nações e a própria estrela da manhã.

Para a igreja de Sardes, Jesus apresenta-se como os sete espíritos e as sete estrelas. Ainda que o pastor seja elogiado pelo fato de alguns membros serem fiéis, pelo que a igreja tem um bom nome, é repreendido, por se tornar contrário à doutrina apostólica, fazendo imperfeitas as obras da igreja, e por haver levado a própria igreja à morte espiritual. A propósito, é advertido a que se arrependa para não vir a ser surpreendido na visitação de Cristo, em que a igreja será castigada sem aviso, como faz o ladrão. A essa igreja, morta já espiritualmente, também não é feita nenhuma promessa de recompensa. Porém, apesar disso, ao crente fiel Jesus declara que confessará o nome dele e que ainda lhe dará vestes brancas.

Para a igreja de Laodicéia, Jesus é a fiel testemunha e o princípio da criação de Deus. Dos sete pastores, o de Laodicéia é o único a não receber qualquer elogio, e ainda é severamente repreendido, por ser a sua igreja espiritualmente morna, pobre, cega e nua. Jesus também o adverte a que adquira de Cristo ouro refinado, vestes brancas e colírio para os olhos. A maior perda dessa igreja é que ela não tem qualquer promessa de recompensa, além de haver rejeitado o Senhor, razão pela qual, já do lado de fora, ele lhe dirige o memorável apelo: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.20).

De fato, por meio da Palavra, Deus fala tanto aos homens que estão na igreja quanto aos que estão no mundo. Ele ainda chama ao arrependimento não só os que são da igreja e estão no mundo, mas também os que são do mundo e estão na igreja. No caso da igreja de Laodicéia, ao eventual crente fiel que ainda fizesse parte dela, apesar de sua manifesta apostasia, Cristo promete fazê-lo sentar com ele no seu trono.

Para a igreja de Esmirna, Jesus é o primeiro e o último, o que esteve morto, mas reviveu. Quanto ao ministro da igreja, Jesus o elogia por sua fidelidade na tribulação e por sua pobreza de bens materiais, declarando-o espiritualmente rico. Não é repreendido nem advertido, e a igreja, além de não ter nenhuma perda, ainda obtém a promessa de que, se permanecer fiel, receberá a coroa da vida. E aos crentes fiéis, promete que no final não sofrerão o dano da segunda morte.

Para a igreja de Filadélfia, Jesus é o santo e o verdadeiro, a chave de Davi e o que abre e ninguém fecha. O pastor é elogiado porque a sua igreja é como uma porta aberta. Tem pouca força material, porém bom testemunho. Não é repreendido, tampouco advertido. A igreja não tem nenhuma perda, pelo contrário, será guardada nas horas de provação, e a sua coroa jamais será tomada. Aos crentes fiéis, Jesus promete que serão colunas no santuário e receberão o novo nome de Cristo.

Observe-se que, dos sete pastores das sete igrejas da Ásia, cinco estavam desviados do Caminho, ocasionando desastroso prejuízo à igreja sob a sua responsabilidade e, por conseqüência, ao Reino de Deus. Por isso, foram repreendidos por Jesus e advertidos a que se arrependessem, pois do contrário seriam excluídos do ministério.

O pastor da igreja de Éfeso levou o rebanho a perder o primeiro amor, o amor a Cristo; o de Pérgamo fez a igreja cair no mundanismo, permitindo que se instalasse nela o trono de Satanás; o de Tiatira deixou a congregação envolvida na corrupção; o de Sardes levou o rebanho à morte espiritual; o de Laodicéia deixou a congregação na pobreza espiritual, levando-a finalmente à total apostasia. Somente os ministros das igrejas de Esmirna e de Filadélfia permaneceram fiéis, cada um se comportando como autêntico pastor que bem conduz o seu rebanho.

Se em verdade os pastores infiéis da época da visitação de Cristo na ilha de Patmos se arrependeram e se converteram de seus maus caminhos, para que, restaurados, promovessem grandes colheitas na lavoura do Reino, disso não sabemos. O que, porém, podemos deduzir com clareza é que, se reavivamento houve naqueles dias com a restauração espiritual dos ministros argüidos por Cristo, com certeza os seus sucessores, deixando de lhes seguir o exemplo, não deram continuidade à obra. Senão, já a partir do século seguinte, o cristianismo não teria declinado até a total extinção naquela área.

Ora, é compreensível que uma lavoura qualquer algum dia seja extinta por falta de semente a ser semeada, todavia é inaceitável que tal fato venha a ocorrer, pois demonstraria total negligência do semeador. Isso, no entanto, pode acontecer, pois, se em uma única plantação de trigo, por exemplo, em determinado ano e em alguns anos subseqüentes, a colheita se torna cada vez mais escassa, a ponto de não se obter nem mesmo a semente para plantar a próxima safra, a lavoura enfim se extinguirá inexoravelmente.

Terá sido isso o que aconteceu com o cristianismo da Janela 10/40 e, por conseqüência, com o cristianismo do resto do mundo, que ficou praticamente extinto durante mil anos? É certo que sim, uma vez que, se os semeadores de Cristo se descuidarem de sua responsabilidade na manutenção e na produtividade da semente da Palavra, não só para a preservação da própria vida espiritual, mas também da espiritualidade do rebanho, que promove o progresso do Reino, certamente a lavoura se extinguirá também, e o projeto de Deus para a redenção do homem será interrompido implacavelmente.

Isso, de fato, é a mais plausível explicação para o fracasso do cristianismo na Janela 10/40 e  no resto do mundo, bem como para o insucesso da lavoura do Reino que se verifica em nossos dias. O quadro sombrio do ministério da época da intervenção de Cristo nas igrejas da Ásia, em que o índice de fracasso dos pastores foi de 71,42%, não é nenhum muito diferente nem menos triste que o quadro do ministério de hoje, cujo índice de fracasso talvez seja o mesmo, se não maior.

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