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A semente de que mais teme o Diabo
Pedro Liasch Filho

Uma grande parcela dos semeadores de hoje é formada por falsos ministros, conseqüentemente culpados pelos danos que perpetram à obra evangélica. Eles desviaram-se do principal alvo do Reino de Deus, projetando-se em acometimentos por natureza mercenários, e trabalhando apenas por interesse próprio, em prejuízo das almas abatidas pelo pecado, sem esperança e sem Deus no mundo.

Por conseguinte, fazem de tudo para agradar o povo, atraindo-o com todas as promessas da provisão divina. Pregando todo tipo de mensagem que possa agradar ao público, o objetivo dos falsos ministros, na verdade, é atrair o povo com a esperança de satisfazer interesses pessoais, não só para aumentar a platéia cada vez mais, como também para que, mantendo-a vivamente interessada nos projetos que apresentam, as arrecadações sejam proporcionalmente maiores.

No entanto, meus amigos, a pregação que aos homens aparentemente não agrada e que eles desestimam é exatamente a mensagem que devemos pregar, pois essa é a semente mais proveitosa e a que mais frutos produz na lavoura do Reino. Em contrapartida, a pregação que mais agrada aos ouvidos dos incrédulos, oferecendo-lhes divertimento e toda sorte de bens materiais, é a mensagem que jamais devemos pregar, a menos que vise abrir-lhes o caminho para a provisão eterna, uma vez que se trata de semente impura, inaproveitável para o Reino de Deus.

Observe-se que ocorreram dois fatos com a semente lançada à beira do caminho. Primeiro, os homens a pisaram. Segundo, as aves, figura do Diabo, a comeram (Mt 13.4, 19). A semente pisada, isto é, a mensagem que os homens endurecidos de coração desprezam é a semente de que mais teme o Diabo. Ele não comeu a semente que caiu na pouca terra entre os espinhos nem a que caiu na pouca terra dos pedregais, porque dessa semente se agradaram as poucas porções de terra entre os espinhos e no meio das pedras, acolhendo-a avidamente em seu seio.

O Diabo retira a semente desprezada por homens endurecidos para que de modo algum venha a ser aproveitada por outros que, de coração brando, sejam mais receptivos a ela. Ele teme e se resguarda da semente trilhada e comum, aquela que os homens pisam e desprezam, porque essa é a mensagem que nos põe a caminho da salvação e da vida eterna. Na verdade, a mensagem que os homens desprezam e de que mais teme o Diabo é a semente que impreterivelmente devem disseminar os semeadores da lavoura do Reino.

Semeadores há de toda ordem e de todos os estilos, até os que são mais palhaços que ministros da Palavra. Os do picadeiro talvez não façam tanta graça quanto os do púlpito. Pastor só palhaço, porém, não basta. Necessário se faz também que seja o porta-voz de Deus. É preciso que, a respeito das pregações dos semeadores do Reino, não se importe a platéia com o estilo e a beleza da mensagem, senão que, por seu conteúdo, fique descontente de si mesma, importando-se com os próprios conceitos, com a sua vida, com a suas ambições, com os seus pecados. Quando pregarmos contra o pecado, em suas múltiplas formas, dizia Vieira, “verá o Senhor que ainda há no seu Reino alguém que está do seu lado, bem como, saberá o Diabo que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a Palavra de Deus”.

Jesus, em Cafarnaum, realizava curas e multiplicava pães para alimentar as multidões que o seguiam por toda parte. Certa ocasião, ele pregava a uma grande massa de gente, quando passou a falar sobre a sua missão. Disse-lhes: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará” (Jo 6.27). E disse-lhes: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (Jo 6.35).

No entanto, quando afirmou que se alguém comesse daquele pão viveria para sempre e que o pão era a carne dele, a qual daria pela vida do mundo, muitos discípulos ficaram escandalizados e exclamaram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir? [...] Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (Jo 6.60, 66).

Então, em uma atitude inusitada, desafiando os discípulos, Jesus fez um apelo ao contrário: “Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente” (Jo 6.67-69).

Ora, é preferível ao Reino de Deus uma congregação pequena, porém convertida e absolutamente certa de que Jesus lhe garante a vida além da morte, que uma multidão iludida e desorientada, caminhando a passos largos pelo caminho que norteia para a perdição eterna. Whitefield dizia que preferia ter uma igreja com dez homens retos para com Deus que uma com quinhentos, dos quais o mundo risse disfarçadamente.

A mensagem do fiel servo de Cristo, de fato, pode não ser um remédio agradável para os homens, assim como pode ser indesejável o remédio indicado para curar alguma doença grave, que só cederia a medicamentos injetáveis e dolorosos. De igual modo, a pregação que traz cura para o coração do homem pode não lhe ser nada agradável. No entanto, constitui-se remédio indispensável para a cura de sua alma.

A Palavra de Deus, aliás, não só é o remédio, como também o pão e a sobremesa. No início, é como o remédio que se toma porque faz bem à saúde, embora, às vezes seja intolerável. Depois, é como o pão que se come não só por ser agradável ao paladar, mas porque se sabe que alimenta o corpo. Em seguida, podemos apreciá-la como a sobremesa que se saboreia já não por necessidade, mas por prazer.

Longe de ser o sermão de Pedro no dia de Pentecoste uma bela peça de oratória ou mesmo um apelo patético, foi uma pregação simples, clara, porém sobriamente séria e de tal modo ungida pelo Espírito que, desagradando toda a multidão, deixou-a, no entanto, de coração compungido (At 2.37). Contudo, foi a pregação mais proveitosa de que já se ouviu falar, pois, apesar de dolorosa no começo, compungindo os corações, depois promoveu a cura e trouxe alegria para quase 3 mil almas. O melhor sermão não é o que nos faz gostar do pregador, mas o que nos faz desagradar de nós mesmos.

Armadilha para a alma

Já uma considerável parcela dos semeadores de hoje proclama tão-somente as promessas de provisões temporais, as quais, inscritas nas igrejas e enumeradas calorosamente dos púlpitos, pelo rádio e pela televisão, estão atraindo multidões de pessoas para os seus templos e salões evangélicos. Trocando, porém, a visão do céu, cuja mensagem são as boas novas de salvação, por outra visão essencialmente terrena, cuja pregação constitui apenas evangelho de provisão, visando satisfazer dos homens somente as necessidades físicas e materiais, está claro que se tornaram mensageiros falsificados e, por conseguinte, alvo da ira divina (Gl 1.6-8).

Para promover as suas empresas religiosas disfarçadas de igrejas evangélicas, eles não se envergonham de usar os mais diversos expedientes para extrair da platéia, dos telespectadores e dos ouvintes tudo quanto precisam para manter no ar os seus caríssimos sistemas radiotelevisivos de comunicação. Como estratégia de marketing, adotam slogans sugestivos, como “nossos associados”, “patrocinadores do Reino”, “parceiros de Deus”, “gideões” etc. E, deixando implícitas as promessas de bênçãos materiais, arregimentam colaboradores de todos os cantos do país, não só entre evangélicos, mas também entre católicos, espíritas, incrédulos e religiosos.

Visando tão-somente atrair e manter a platéia para satisfazer interesses particulares, como em uma cilada para atrair a presa, esses falsos ministros preferem falar somente das terreais provisões divinas, omitindo a mensagem essencial de que Cristo veio ao mundo para nos libertar do pecado e nos conceder a vida eterna. Talvez porque se a mensagem vir a ser outra — além da que satisfaz os imediatos interesses pessoais do povo, pois também satisfaz os interesses financeiros desses grupos — as multidões, interessadas somente na solução dos problemas temporais, se dispersarão, e o império deles cairá por terra.

Assim, o povo que, em sua maioria, vive desesperado, procurando a solução imediata desses problemas é levado enganosamente nessa direção, onde tudo se encaixa em uma combinação perfeita entre oferta e procura: a oferta do pão na sacola da fome e a procura da fome na cesta do pão. Dessa forma, grandes multidões, atraídas pelas promessas dos bens físicos e materiais, afluem para os templos dessas igrejas, dando a falsa impressão de que vivemos um grande reavivamento espiritual.

A distorção evangélica que se verifica em nossos dias torna-se ainda mais pecaminosa, por ser uma armadilha para a alma humana, cujo anseio, no fundo, não é pelos bens materiais, mas pelo bem do espírito. Os bens materiais, que satisfazem os desejos pessoais tanto da mente quanto do corpo, são incompatíveis com os anseios espirituais, que visam satisfazer a alma.

Diz a Palavra que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17). E mais: “A minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água” (Sl 63.1); “Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te” (Is 26.9). Diz um pensamento secular que, assim como as crianças suspiram pela mãe, nós suspiramos por Deus, e as nossas aspirações não são outra coisa senão o desejo do céu.

È uma grande ilusão pensar que a verdadeira felicidade está na riqueza, nos bens materiais, no bem-estar físico, no riso de um divertimento ou nas gargalhadas provocadas por um artista talentoso. Se por um lado, em alguns aspectos, as alegrias são benéficas, pois podem até promover a saúde física e mental, por outro, não é nada mais que um simples e superficial invólucro de uma felicidade falsa, de que se serve Satanás para esconder a profunda tristeza que aflige a alma dos homens sem Deus.

Se por um lado o mundo oferece alegrias e prazeres por meio de divertimentos, por outro, esses ministros inoportunos anunciam a felicidade por meio das provisões temporais. Todavia, tudo isso nada mais é que abafar a voz da consciência de uma grande multidão que, mesmo tentando satisfazer os desejos pessoais, da mente e do corpo, o que na verdade querem é satisfazer a própria alma, que por Deus anseia (Sl 42.1, 2).

Além disso, as provisões temporais são promessas de Deus destinadas aos justos, uma vez que a Bíblia não promete provisão para os ímpios. Quanto aos justificados pela fé, “o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4.19). E ao que teme ao Senhor, diz a Palavra: “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15).

Já no tocante ao ímpio, que ao Senhor desonra, diz: “Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca? Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti” (Sl 50.16, 17). E mais: “Bênçãos há sobre a cabeça do justo, mas a violência cobre a boca dos perversos” (Pv 10.6). Portanto, sujeite-se a Deus, fique em paz com ele, e a prosperidade virá a você (Jó 22.21).

Quando Deus faz um milagre que abençoa o ímpio, ele o faz por intercessão do justo, em nome de Jesus, e com o propósito de induzi-lo a se converter e se tornar justo também. Destarte, se aos incrédulos o ministro de Cristo prega as provisões divinas, deverá fazê-lo por uma única razão: despertá-lo para aceitar a Cristo como Salvador, a fim de obter a vida eterna.

Ainda que deva pregar tais promessas aos fiéis, pois é bíblico pregá-las, nunca sonegue aos incrédulos a semente de que mais teme o Diabo, o Pão vivo que desceu do céu, o verdadeiro alimento dado aos homens para lhes saciar o espírito faminto e conduzi-los aos portais da eternidade.

Não foi sem razão que Jesus tenha declarado: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre” (Jo 6.51) e que amorosamente a sua voz clame desde a Judéia até os confins da terra: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

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