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Concessionários do Espírito Santo
Pedro Liasch Filho

Outra razão do fracasso da lavoura do Reino é que muitos pastores de hoje, tornando-se auto-suficientes e infiéis à própria vocação e pregando somente palavras vazias, deixaram de anunciar a Palavra de Cristo, ou seja, a Palavra que constitui Espírito e vida (Jo 6.63), “porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (1Co 4.20).

Se nós, pastores, que nos consideramos ministros de Cristo, julgamo-nos independentes do Espírito Santo, dispensando a sua unção para ministrar a Palavra, seja na pregação, seja no ensinamento, não tenha dúvida de que estamos desqualificados para o Reino e só causaremos prejuízos à obra de Deus.

Assim como Jesus foi ungido pelo Espírito para pregar boas novas aos perdidos e libertar os cativos (Is 61.1), de igual modo os ministros de Cristo deverão ser ungidos, como de fato os apóstolos o foram, para que a sua pregação, como a de Paulo, não consista em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas de demonstração do poder do Espírito, para que a fé dos que vierem a crer não seja fundada em sabedoria humana, mas no poder de Deus (1Co 2.4).

Se para o que semeia na carne — segundo os padrões da natureza humana — a expectativa de colheita espiritual é nula e se quem semeia no Espírito colhe a vida eterna (Gl 6.8), nenhum ministro poderá reivindicar qualquer coisa com base em méritos próprios, já que a capacidade para o ministério vem de Deus. Paulo afirma que o Senhor nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, “não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2Co 3.5, 6).

Isso fica bem claro em outra passagem de Paulo, na qual ele revela que, se o ministro vive segundo a carne, a sua mente estará voltada para o que a carne deseja. Mas se ele vive no Espírito, a sua mente estará voltada para o que o Espírito deseja. E a mentalidade da carne, que é inimiga de Deus e não se submete à sua lei, significa morte, mas a mentalidade do Espírito constitui vida e paz. Se vivermos dominados pela carne, não podemos agradar a Deus. Entretanto, se de fato em nós habita o Espírito de Deus, não estamos sob o domínio da carne, mas do Espírito. Desse modo, é evidente que se o pastor “não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.5-9).

Se o lavrador da semeadura do Reino não é espiritual, não vive no Espírito nem é revestido do poder do Espírito, razão pela qual não semeia no Espírito, a sua lavoura jamais poderá vingar. Nem o seu trabalho, nem a sua pregação, nem ele próprio, como ministro de Cristo, poderão subsistir, uma vez que a carne, isto é, a natureza humana, não produz nada que se aproveite para o Reino de Deus. É o Espírito que dá vida.

Na verdade, o Reino de Deus não precisa de recursos humanos. Precisa de espécie humana com recursos divinos. Significa dizer que só quando vier a ser inteiramente espiritual, revestido do poder do Espírito Santo, o pastor se tornará testemunha de Jesus e em nome dele poderá pregar e ministrar a Palavra em todos os lugares, até nos confins da terra (At 1.8), com a expectativa de obter grandes e genuínas colheitas espirituais.

Portanto, ungida pelo Espírito Santo, a pregação dos semeadores do Reino, a exemplo da palavra de Cristo, que fez arder os corações dos discípulos de Emaús (Lc 24.32), e do sermão de Pedro, que compungiu o coração de milhares de pessoas no dia de Pentecostes, será viva e eficaz, mais afiada que espada de dois gumes, que penetra até o ponto de dividir alma e espírito (Hb 4.12).

Assim, na total dependência do Espírito, os semeadores do Reino, designados por Cristo para o ministério da Palavra, não para pregar pela sabedoria humana, mas pelo Espírito de Cristo, uma vez que, sendo eles de Cristo e possuindo a mente de Cristo (1Co 2.12-16), se tornarão idôneos tanto para produzir frutos espirituais na própria vida quanto para produzir boas colheitas na lavoura do Reino.

Nunca os discípulos de Jesus foram indiferentes ao Espírito Santo, pois eram convictos de que somente na dependência dele, revestidos do poder do alto, poderiam trabalhar ousada e corajosamente. Quando as autoridades judaicas, ameaçando de prisão os apóstolos Pedro e João, exigiram que eles dissessem com que poder e em nome de quem haviam curado um aleijado à porta do Templo, Pedro, cheio do Espírito, respondeu com ousadia e sem temor que o milagre fora realizado em nome de Jesus (At 4.8-10).

Depois da conversão de Saulo de Tarso, ainda cego pelo incidente do caminho de Damasco, Jesus revelou-se a Ananias e disse-lhe que aquele homem seria um instrumento escolhido para levar o evangelho aos gentios e ao povo de Israel. E ordenou-lhe que impusesse as mãos sobre Saulo para que este voltasse a enxergar e fosse cheio do Espírito Santo.

Isso de fato aconteceu, pois logo depois da oração de Ananias algo como escamas caíram dos olhos de Saulo, e ele passou a enxergar novamente. Em seguida, foi batizado e, depois de comer, recuperou as forças. Então, para espanto dos judeus, começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus era o Filho de Deus. Assim, fortalecendo-se cada vez mais, confundia os judeus que viviam em Damasco, pois demonstrava que Jesus era o Cristo (At 9.15-22). Só foi isso possível porque Paulo passou a viver cheio do Espírito Santo.

Diz outra passagem que, mediante ameaças e perseguições, os discípulos de Cristo se reuniram para orar, pedindo a Deus que os capacitasse a anunciar a Palavra e a realizar curas, sinais e maravilhas no santo nome de Jesus. Depois que oraram, tremeu o lugar em que estavam reunidos, e todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a Palavra de Deus. Diz ainda o texto que da multidão dos que creram, era uma só a mente e um só o coração (At 4.29-32). Só foi isso possível porque os discípulos de Jesus foram cheios do Espírito Santo.

Assim, a Palavra do Senhor espalhava-se por toda a região de Antioquia, onde os judeus promoveram grande perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram de seu território. Os dois, porém, seguindo a orientação de Jesus, sacudiram o pó dos pés e foram para Icônio. E, prosseguindo em proclamar o poder de Jesus, realizaram em nome dele sinais e maravilhas (At 13.49-52). Só foi isso possível porque Paulo e Barnabé foram cheios do Espírito Santo.

Enquanto Girolamo Savonarola trovejava contra o vício, o crime e a corrupção de Florença, milhares de pessoas se convertiam e eram vistas por toda a parte aos prantos. A cidade inteira abandonou o mundanismo e passou a cantar hinos a Deus. Só foi isso possível porque Savonarola fora cheio do Espírito Santo.

Quando Jonathan Edwards começou a pregar durante o grande despertamento da Nova Inglaterra, ninguém poderia imaginar que o resultado fosse tão devastador: promovendo conversões em massa, ele arrebatou cerca de 50 mil almas do império das trevas e as transportou para o Reino do Filho amado. Só foi isso possível porque Edwards fora cheio do Espírito Santo.

Havendo se convertido de modo extraordinário, Charles Finney recebeu a unção do Espírito Santo, e coisas incríveis começaram a acontecer em seu ministério. Às vezes, o poder do Espírito precedia a presença de Finney, de modo que ao chegar ao local da reunião já encontrava o povo chorando e pedindo a misericórdia de Deus. Só isso aconteceu porque Finney fora cheio do Espírito Santo.

No Havaí, Tito Coan, cheio do Espírito, pregava para mais de 15 mil pessoas em uma única reunião, e no final da campanha de apenas um ano, milhares de pessoas se haviam convertido. Ao deixar o Havaí, ele havia batizado 11.960 pessoas. Só foi isso possível porque Coan fora cheio do Espírito Santo.

No País de Gales, em 1904, sob a instrumentalidade de Evan Roberts, nenhum outro interesse havia no afluir de gente aos templos senão a reconciliação com Deus. Milhares de pessoas, entre as quais, alcoólatras e marginais, eram reabilitadas e passavam a viver dignamente. Até os animais nas minas de carvão sentiram diferença no tratamento que os seus donos passaram a lhes dispensar. Em apenas cinco semanas, mais de 20 mil pessoas foram arroladas como membros das igrejas daquele país. Só foi isso possível porque Roberts fora cheio do Espírito Santo.

No início do século XX, em Los Angeles, na rua Azusa, a presença de Deus era tão evidente que as pessoas, tomadas por poderosa convicção de pecado, pareciam cair aos pedaços, sem nenhuma razão. O poder era tão grande que os incrédulos, convencidos de seus pecados, se convertiam, e os crentes carnais eram espiritualmente renovados e batizados com o Espírito Santo. Isso também só foi possível porque os promotores do avivamento na Missão Azusa foram cheios do Espírito Santo.

Nas décadas de 1940 e 1950, Mário Roberto Lindstrom, Raymond Boatright e Harold Williams tornaram-se protagonistas de um verdadeiro reavivamento espiritual no Brasil, renovando centenas de igrejas cristãs e dando origem a outras centenas. Eles experimentaram coisas que só foram vistas no tempo dos apóstolos, como salvação em massa, curas milagrosas, batismo do Espírito Santo e o exercício dos dons espirituais. Só foi possível a realização de tais proezas porque, tornando-se varões apostólicos, eles foram cheios do Espírito santo.

Até mesmo no martírio, os ministros de Cristo foram cheios do Espírito. Estêvão, durante o apedrejamento, levantou os olhos para cima e, vendo os céus abertos e a glória de Deus, e Jesus em pé, à direita do Pai, orou pedindo o perdão para os seus algozes (At 7.54-56). Savonarola, que por sua fidelidade ao Senhor foi enforcado e queimado em praça pública, disse estas palavras ao morrer: “Muito mais sofreu Jesus por mim”. Estêvão, Savonarola e tantos outros mártires só puderam suportar o martírio porque foram cheios do Espírito Santo.

Ora, se semeadores de Jesus como Pedro, Estêvão, Barnabé, Paulo, Savonarola, Jonathan Edwards, Charles Finney, Tito Coan, Evan Roberts, Mário Roberto Lindstrom, Raymond Boatright, Harold Williams e tantos outros que foram usados por Deus com poderes sobrenaturais tivessem prescindido da unção do Espírito, jamais teriam realizado o que de fato realizaram, já que as grandes obras que realizaram só foram possíveis porque esses homens se tornaram instrumentos do poder do Espírito Santo.

A virtude que possuíam não era deles. Era do Espírito Santo. Se tiveram o privilégio de realizar grandes obras, é porque foram assistidos por Deus. Eles, na verdade, foram dependentes e ao mesmo tempo concessionários do poder de Deus.

O mérito dos frutos

O êxito do ministério seja da música que comove corações levando pessoas a Cristo, seja da pregação carismática que arrebata multidões, movendo pessoas ao arrependimento e à salvação, seja do ensino da Palavra que edifica vidas no corpo de Cristo, seja da oração da fé que opera maravilhas no Reino de Deus, efetivamente tal sucesso não pertence ao ministro. São atribuições exclusivas da divindade. É o Espírito Santo que, inspirando e movendo coração e mente, concede-lhe o poder para realizar grandes obras no Reino de Deus.

Saiba que somente ao Espírito compete não só o convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), mas também regenerar vidas (Tt 3.5), e ainda capacitar os ministros da nova aliança, a fim de transmitir a mensagem essencial do Evangelho para a salvação de todo aquele que crê, não a palavra da letra, a Lei do Antigo Testamento, mas a palavra do Espírito, mensagem do Novo Testamento, “porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Co 3.6).

Observe-se que o ministro seja músico, pastor, evangelista ou missionário – constitui apenas um instrumento de Deus, por intermédio do qual o Espírito opera toda obra divina. “Se alguém fala, fale de acordo com a Palavra de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus dá, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos” (1Pe 4.11).  As perguntas de Paulo, indagando quem é Apolo e quem é Paulo, têm uma resposta incisiva: Servos. Apenas servos por meio dos quais os coríntios creram a fim de serem salvos para a vida eterna.

É claro que só o fato de alguém vir a ser ministro de Deus já é isso para qualquer cristão uma grande honra. O primeiro e o mais importante privilégio do crente é ter sido feito filho de Deus. O segundo é ter se tornado servo de Jesus, ministro do seu Evangelho, e ainda cooperador no Reino de Deus. Isso realmente é uma grande honra para o crente. “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus” (1Co 4.1).

Lembre-se, no entanto, de que concessão, denotando outorga ou permissão, não é merecimento. Logo, o poder que eventualmente o pastor possui não é dele próprio. É concessão de Deus: Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2Co 4.7); “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor” (2Co 10.17). Paulo deixa bem claro que não devemos nos gloriar por nenhum mérito, a não ser na cruz de Cristo. (Gl 6.14).

Por conseguinte, os frutos espirituais, tanto os produzidos na vida do semeador quanto os demais, produzidos na lavoura do Reino, nunca foram e jamais serão produzidos pelos ministros. A produtividade espiritual se faz notar exclusivamente pelo poder de Cristo, por meio do Espírito Santo. “Sem mim”, disse ele, “nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Quer isso dizer que os ramos só poderão produzir se estiverem ligados ao tronco da videira. Jesus figuradamente é o tronco, e os ministros dele são os ramos. Logo, os ramos são apenas receptores dos frutos, os quais são produzidos pelo tronco. Os frutos se manifestam nos ramos, mas a energia que os produz vem do tronco. “Não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Rm 11.18).

É justo que assim seja, pois nenhum obreiro tem o direito de se gloriar com a produção da lavoura. Segundo a Palavra (Gl 5.22, 23), os frutos espirituais que se manifestam na vida dos semeadores do Reino são do Espírito. Ele faz produzir em nossa vida o amor, a alegria, a paz, a paciência, a amabilidade, a modéstia, a bondade, a fidelidade e o domínio próprio. De igual modo, os frutos produzidos na lavoura do Reino são do Espírito Santo, pois, viabilizando grandes e genuínas colheitas, o Espírito convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).

Diz a Palavra que, depois de orar, os cristãos primitivos foram surpreendidos com um tremor de terra no lugar em que estavam reunidos, e todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a Palavra de Deus (At.4.31). “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).

Todavia, já houve, como ainda há, muitos pastores que têm tido o privilégio de ser usados por Deus, os quais, para satisfação própria, estão se gloriando nas obras do Espírito, chamando a glória de Deus para si, afrontando o Criador dos céus e da terra, a quem única e exclusivamente é devida toda honra e toda glória: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap 4.11); “Dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11.36).

Lembre-se, porém, de que, a partir do momento em que o ministro de Cristo admitir ou simplesmente pensar que o poder que se manifesta em seu ministério é dele próprio, já o terá perdido, como de fato muitos o perderam. “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei” (Is 42.8).

O milagre da regeneração do ser humano, o maior de todos os milagres, não só é dom de Deus, mas também constitui obra divina, para que ninguém se glorie. Por isso, não poderia ser realizado por intervenção humana, pois a salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro (Ap 7.10).

Paulo afirma que da parte de nosso Salvador manifestaram-se a bondade e o amor pelos homens, não por causa de atos de justiça que tivessem praticado, mas devido à misericórdia do Senhor, salvando-os pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, derramado generosamente por meio de Jesus Cristo (Tt 3.4-6).

Conseguintemente, é impossível aos semeadores do Reino obter colheitas espirituais com fenômenos sobrenaturais, sejam conversões, sejam curas, como de fato ocorreu no dia de Pentecostes, imediatamente depois desse dia e em outros lugares e em todas as épocas, onde e quando houve avivamento genuíno, se tais ministros não forem cheios do Espírito Santo.

Na verdade, o pastor que se preza como ministro de Cristo não precisa estar de bem com Deus e com a igreja, como também não pode prescindir da unção do Espírito Santo. Precisa reconhecer, além disso, que o poder que opera em seu ministério, salvando, curando, regenerando e transformando vidas, pertence a Deus. A despeito da eloqüência que possua, do marketing religioso, da tecnologia de som, da música ou de qualquer outro artifício humano, não importa, sem esse poder, do qual o pastor é concessionário, a sua obra não terá valor algum diante dos homens, muito menos diante de Deus, ainda que resulte no maior ajuntamento de crentes de todos os tempos.

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