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Quando o pastor perde a sua autoridade ministerial
Pedro Liasch Filho

Deve o ministro de Deus ser honrado? É claro que sim, até porque ele é embaixador de Cristo (2Co 5.20). Poderia alguém, no Brasil ou em outro país, ofender ou menosprezar um embaixador estrangeiro? É claro que não! Respeitamos o embaixador, porque ele representa uma nação. Ora, se o desonrarmos, estaremos tacitamente desonrando o país que ele representa. Por isso, os embaixadores do Reino de Deus devem ser igualmente respeitados.

Se não forem respeitados pelos descrentes, devem ser ao menos honrados pelos membros da igreja de Cristo. Os pastores, como anjos das igrejas, devem ser considerados dignos de respeito e honra. Os seus ensinamentos devem ser acatados com obediência. Até porque o respeito aos líderes da igreja, o corpo de Cristo, corresponde a respeitar a Cristo, Cabeça da igreja. “Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita” (Lc 10.16).

Os pastores, porém, precisam saber que, pelo fato de serem ministros de Deus, devem ser “fiéis àquele que os chamou”. Devem cuidar da obra de Deus, não por constrangimento, mas espontaneamente; não por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores, antes se tornando modelos do rebanho (1Pe 5.2, 3). Devem ser aptos para ensinar (1Tm 3.2); irrepreensíveis (Tt 1.7); zelosos das ovelhas, como quem delas hão de prestar contas (Hb 13.17).

Embora seja isso o que se espera, nem sempre é o que acontece, como neste caso, por exemplo, ocorrido com certo ministro em uma de nossas milhares de igrejas. Ele era co-pastor e, ambicionando tornar-se o pastor titular da igreja, começou a fazer politicagem. Para conseguir o seu objetivo, adotou a estratégia dos políticos tradicionais: ignorando as virtudes do “adversário”, ressaltava-lhe as imperfeições, enquanto destacava as próprias qualidades, ocultando os defeitos.

Em atitude desleal para com o pastor titular, que depositava nele plena confiança, começou a fazer o jogo de interesses. Quando um membro da igreja fazia alguma reivindicação, ele agia de acordo com a situação. Se o assunto não lhe fosse favorável, reclamava dizendo que gostaria de atender àquela reivindicação, mas não podia fazê-lo porque não era o pastor titular. No entanto, se o caso o favorecia, ele de pronto e por conta própria atendia à solicitação sem ao menos consultar o pastor titular.

Além disso, nos contatos com presbíteros, diáconos, professores e outros líderes da igreja, sempre com segundas intenções, fazia a política da boa vizinhança: tapinhas nas costa, apertos de mãos, abraços, elogios, convites para um almoço em sua casa. Como o objetivo era fazer a cama, isto é, preparar o ambiente para tomar o poder, como se não fosse vergonhoso atribuir poder temporal ao pastorado, adivinhe quem ele nunca convidava para esses encontros! O pastor titular, é claro.

E, continuando a pôr os pés pelas mãos, passou a discordar dissimuladamente das decisões do conselho ministerial. Se o assunto vinha ao encontro de seus interesses, estava tudo bem, ele aplaudia. Mas caso a decisão lhe fosse desfavorável, fingia estar de acordo, mas depois, com o propósito de provocar divisão entre os membros da igreja e do próprio ministério, dizia em particular a membros do conselho e a outras pessoas que discordava de tal decisão.

A situação agravou-se pela revelação dos pecados desse pastor. Então o pastor titular convocou o conselho ministerial e solicitou que o infiel ministro fosse imediatamente destituído do cargo e tratado disciplinarmente, a fim de ser restaurado e depois, se fosse o caso, restituído ao ministério.

No entanto, embora argüido de seus atos, aquele ministro não se arrependeu. Pelo contrário, vencido em suas intenções, desprezou o fato de que era um igual entre os demais ministros e não respeitou a vontade da maioria. Recusando submeter-se ao conselho, rebelou-se, promovendo uma cisão na igreja, para prejuízo dela e benefício dele, pois arrastou consigo dezenas de membros, razão pela qual foi desligado do ministério.

O fato mais triste dessa história, porém, é que, tendo o pastor rebelde se reunido em outro local, com os que o acompanharam na cizânia, constituindo nova congregação, ele e os crentes que o seguiram foram recebidos como afiliados de outra igreja, sem que a liderança desta ao menos consultasse o pastor da igreja de origem para saber a razão do desligamento.

Fatos como esse, lamentavelmente, ocorrem aos milhares na obra de Deus, razão pela qual a crise evangélica persiste, e não temos colheitas genuínas, pois o Reino está dividido contra si mesmo e por isso será arruinado (Mt 12.25).

Tornam-se os ministros de Cristo responsáveis pelo fracasso da obra de Deus quando, já desqualificados e sem autoridade ministerial, persistem em continuar no cargo. Afinal, quando e em que circunstâncias eles perdem a sua autoridade ministerial, vindo a ser considerados inidôneos para o ministério e necessitados de disciplina para serem restaurados, se não destituídos de suas funções?

Uma resposta simples seria que o pastor só perde o direito de ministrar a Palavra quando cai em pecado e não se retrata, recusando-se a ser tratado antes de ser reconduzido ao ministério. Contudo, no tocante a cair em pecado, não pense que pecado de pastor só se caracteriza pelo adultério, como a maioria dos crentes imagina.

Existem outros erros tão graves quanto à impureza sexual, e se dos tais o ministro não se arrepender e não se afastar, haverá motivo bastante para que ele não só se torne inapto para a função, como também passível de disciplina e até de afastamento do ministério.

Se, por exemplo, o pastor incorre no pecado de intriga, politicagem, deslealdade, maledicência, insubmissão, discórdia, dissimulação, dissensão, facção, divisão, indisciplina, desonestidade nos negócios, desonra dos compromissos, só para citar alguns, caso não se arrependa para ser restaurado, esses pecados são gravíssimos, em se tratando de um ministro do evangelho, também constituem razão suficiente para que ele perca a sua autoridade ministerial, ainda que continue ministrando a Palavra.

De fato, só haverá progresso na lavoura do Reino se os ministros de Cristo recuperarem a perfeita harmonia, pois diz a Palavra que o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica a si mesmo em amor, à medida que cada parte cumpre a sua função (Ef 4.15, 16).

Contudo, o obreiro descontinuado do ministério, seja por suspensão temporária, seja por exclusão, não terá o ministério interrompido apenas na igreja local. Ele estará desligado também do serviço do Reino de Deus. E, se não se arrepender para ser restaurado, continuará excluído do Reino, ainda que venha a se integrar em outro ministério.

Enquanto inúmeras igrejas, ignorando a ética, admitem pastores suspensos ou excluídos de outros ministérios sem ao menos consultar a igreja de origem para saber os motivos da disciplina, outras acham que o pastor faltoso só não serve para a comunidade que o puniu: caso queira servir em outra, o problema será da igreja que o receber. O ministério que pensa assim, lamento concluir, está agindo contra o Reino.

Se as igrejas evangélicas constituem ministérios de Deus, o pastor que por sua integridade é apto para servir o Reino em uma delas também o é para servi-lo em qualquer outra. Logo, o pastor que por mau comportamento não serve mais para determinada igreja também não serve para nenhuma outra. A obra de Deus é única e permanece a mesma em todo lugar, razão pela qual não temos o direito de receber nem de recomendar o obreiro faltoso ou insurgente.

Se o recebermos, não só estaremos ferindo a ética cristã, como também nos tornaremos coniventes com a indisciplina. Se, em contrapartida, o recomendarmos, estaremos cometendo traição, já que o outro ministério também faz parte do Reino de Deus. Somos do Reino para servi-lo em todos os aspectos, devendo preservá-lo tanto em nossa igreja quanto em qualquer outra denominação cristã.

É grave erro pensar que o pastor é servidor estrito de sua denominação. Acima do fato de servi-la no sentido administrativo, ele é servo de Deus. O pastor batista não é servo da Igreja Batista, nem o assembleiano da Assembléia de Deus, nem o metodista da Igreja Metodista. Como parte do corpo de Cristo, ele é servo de Deus, está a serviço do Reino. Portanto, a Deus e à sua Palavra deve prestar contas.

Tem sido difícil recuperar o pastor rebelde, principalmente se ele já dividiu o rebanho, porque sempre será apoiado por alguém, seja pelos que o acompanham na cisão, seja por outros pastores, que às vezes o fazem por interesse próprio. Não sabem o grande mal que lhe estarão fazendo, uma vez que só farão alimentar-lhe o ego, levando-o a crer que a insubordinação ou a cizânia não são erros assim tão graves.

Não são de fato? Só podem responder afirmativamente os que ignoram ou se tornaram rebeldes à Palavra de Deus. Veja o que diz Paulo: “Ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” (1Co 3.3). Diz o apóstolo ainda que, na manifestação das obras da carne, entre outros pecados estão a discórdia, as dissensões e as facções, das quais surgem as divisões (Gl 5.19, 20).

Quanto ao pecado da desobediência, reportemo-nos à rebelião de Saul, pela qual esse rei foi severamente repreendido por Samuel, que foi enfático: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria” (1Sm 15.22, 23).

Paulo ainda recomenda que os irmãos tomem cuidado com os que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que os crentes têm recebido. Insiste em que os crentes se afastem deles, pois tais pessoas não estão servindo a Cristo, mas a interesses pessoais. E alerta para o fato de que, mediante palavras suaves e bajulações, eles estão enganando os ingênuos (Rm 16.17,1 8).

Segundo a Bíblia, o obreiro cristão que se tornar infiel ao propósito do Reino, transgredindo a Palavra, está sujeito à disciplina eclesiástica — na esfera da igreja local, regional, nacional ou internacional. Primeiro deverá ser argüido para que reconheça o erro, se arrependa e seja restaurado. Caso, porém, argüido, não se arrependa, tornando-se insubmisso e recusando a disciplina, deve ser desligados do ministério e, por conseqüência, do serviço do Reino de Deus (Ap 2.5).

Se no tocante aos pastores íntegros a disciplina da Palavra é desnecessária, para os infiéis a situação se complica, porque para estes a Palavra se torna inútil. Contam-nos as Escrituras que determinado ministro deliberadamente resolveu promover um cisma nas igrejas cretenses, onde Tito era bispo e supervisor. Por isso, em sua carta, Paulo faz esta severa advertência: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tt 3.10, 11).

É verdade que às vezes a disciplina ou a exclusão teria de ser invertida, como no caso em que o próprio líder do ministério local, mesmo tendo caído em pecado permanece na liderança, manipulando a congregação e levando o rebanho à decadência espiritual e à apostasia. A propósito, em tais circunstância, os ministros autênticos desse ministério teriam de tomar a iniciativa de preservar os fiéis, talvez até promovendo uma separação, que nesse caso não se caracterizaria como cizânia, mas como o ato de retirar parte ou todo o rebanho para resguardá-lo de um mal maior.

Isso é previsto na Palavra, de acordo com esta expressão: “Sai dela, povo meu” (Ap 18.4). Trata-se de uma referência à chamada profética de Deus, feita à ultima geração de fiéis, para que se retirem da igreja apóstata, caracterizada pelo sistema babilônico do fim dos tempos. Pois o cristão fiel que permanecer vinculado a esse sistema ímpio acabará participando de seus pecados e por isso incorrerá em castigo.

Os ministros fiéis não poderão tolerar o líder falso que esteja levando a congregação ao fracasso espiritual. Por isso, devem convocar os crentes fiéis a separar-se da instituição que se tornou espúria por errônea direção de um ministro infiel. Isso, em todos os tempos e em toda a história da redenção, tem sido essencial para a salvação das almas.

No entanto, se algum ministro de Deus, seja o presidente da denominação, seja um simples membro do ministério, vier a pecar contra Deus, magoando a igreja local, partícula da universal igreja de Cristo, ele deverá, caso não se arrependa, ser privado terminantemente da autoridade para expor, pregar ou ensinar a Palavra de Deus nessa ou em qualquer outra igreja, ainda que do outro lado do mundo, uma vez que a obra de Deus é uma só, e Deus é onipresente.

No entanto, nenhum ministro neste mundo, nem o mais puro, nem o mais fiel, nem o mais dotado de dons espirituais, pode mudar o rumo daquele que se coloca em rota de colisão com a Palavra de Deus. Se alguém pode fazê-lo, é o próprio transgressor, caso reconheça o seu erro, se arrependa e se
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