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Deve-se expor o falso ministro?
Pedro Liasch Filho

Deve-se expor o falso ministro?

dizia Paulo Romeiro em seu livro, Evangélicos em Crise (Editora Mundo Cristão), que muitos ministros de hoje, prevenidos quanto a possíveis ataques por causa de seu mau comportamento ou de sua infidelidade ao Reino, buscam apoio em textos como: “Não toqueis os meus ungidos” (Sl 105.15); “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1).

Na verdade, procuram dissimuladamente incutir tais conceitos na mente do povo a fim de garantir outros defensores de sua condição de “ungidos do Senhor”. A estratégia tem dado certo, pois até a música gospel faz apologia pastoral. Veja nesta letra do cantor de Rap, Adriano Gospel Funk a defesa apaixonada que ele faz do pastor:

Autoridade vem de Deus e você tem que respeitar
Antes de abrir a boca para mal de um pastor falar
Olha brecha meu irmão, e fique de bico fechado
Porque quem brinca com pastor pode aparecer queimado.

HÁ ! HARAR ! MEXER COM PASTORAZAR
HÁ ! HARAR ! PENSE
ANTES DE FALAR

Todavia, nenhum dos dois textos citados acima tem conotação de defender ou proteger aquele que detém a unção ministerial. Na igreja, a unção não é privilégio de ministros, mas de todos os que estão em Cristo Jesus. O apóstolo João esclarece que os cristãos têm a unção que procede do Santo e acrescenta: “A unção que vós recebestes dele...” (1Jo 2.20, 27).

Na verdade, lembra Paulo Romeiro que a expressãonão toqueis os meus ungidos”, é uma alusão ao incidente ocorrido entre o rei Abimeleque, Abraão e Sara (Gn 20.1-13), em que Abraão deu uma informação falsa a respeito de Sara, afirmando que ela não era sua esposa, não se refere à posição, e sim à integridade física do ungido de Deus. É certo que Deus protegeria qualquer um de seus servos, mesmo alguém que não tenha sido ungido para a função ministerial. Ainda que Abraão não tivesse a unção de profeta (Gn 20.7), Deus o teria protegido da mesma forma.

No entanto, embora proibido por Deus de tocar em Abraão, ungido do Senhor, e de causar dano físico ao profeta, o rei não hesitou em corrigi-lo pelo fato de haver mentido a respeito de Sara. Tal repreensão, porém, não significa que Abimeleque, por haver atingido verbalmente Abraão, tenha desobedecido à ordem de não tocar no ungido de Deus.

o textoNão julgueis, para que não sejais julgados”, citado por muitos pastores como arma de defesa contra as argüições a respeito de seu mau comportamento, quando usado fora do contexto dá a entender tratar-se de acusações indevidas. No entanto, como bem sugere o contexto (Mt 7.3-5), Jesus se referia ao julgamento hipócrita dos fariseus, cuja vida cheia de erros não lhes dava o direito de acusar ninguém, pois ninguém que viva no pecado tem autoridade moral para julgar alguém, no sentido de argüi-lo de seus erros.

No entanto, ao ministro de mãos limpas e ainda investido de autoridade ministerial, como ressaltam Jesus e Paulo, cabe tanto julgarnão apenas pela aparência, “mas segundo a reta justiça” (Jo 7.24) — quanto exortar, repreender e corrigir, como solenemente o apóstolo recomenda a Timóteo (2Tm 4.2).

Muitos pastores de hoje, fiéis a Cristo e ao seu ministério, estão inconformados com as conseqüências de ministros inconseqüentes que se avolumam assustadoramente, causando grande prejuízo ao Reino de Deus, porém com medo de se expor ou de ferir a ética, denunciam-nos apenas de forma generalizada, omitindo os nomes deles. No entanto, assim como não devem ter de que se envergonhar, também não devem temer de fazer tais denúncias, desde que fundamentadas na verdade e nos princípios da Palavra.

Assim como Paulo denunciou os falsos apóstolos, de igual modo o ministro de Cristo, consciente do status e da responsabilidade que detém como servo de Cristo, preservando o bom nome evangélico, têm o dever de alertar o povo de Deus a respeito dos ministros persistentemente infiéis aos princípios do Reino. Também devem declarar o nome deles, para que, sabedores de quem se trata, e de que estão agindo como falsos pastores, os crentes sejam preservados e possam não evitá-los, mas também repudiar os seus falsos ensinamentos e rejeitar as suas tendenciosas pregações.

Assim procedia o apóstolo Paulo, que não denunciava os falsos ministros de sua época, como também declarava o nome deles — e ainda os excluía da comunhão da igreja. Ele cita, por exemplo, Himeneu, Alexandre e Fileto, cujo falso ensinamento de que a ressurreição se realizara se alastrava como câncer. Eles rejeitaram a boa consciência e, por isso, não naufragaram na como foram expulsos do ministério (1Tm 1.19, 20; 2Tm 2.16, 17).

Ora, não é pelo fato de o pastor vir a ser essa figura divinizada, o anjo da igreja, que deva ser intocável. Nem por isso você tem de segui-lo cegamente ou defendê-lo incondicionalmente. Isso não teria sentido, porque, primeiro, não podemos transigir com o pecado do pastor e, segundo, não devemos seguir cegamente o ministro, muito menos defendê-lo sem restrições, caso esteja se comportando em desacordo com a Palavra, havendo se tornado ministro desqualificado.

De maneira explícita, a Bíblia ensina que tais ministros devem ser disciplinados perante a comunidade, argüidos, corrigidos e até excluídos do ministério, conforme o caso: “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (1Tm 5.20); “Repreende-os severamente, para que sejam sãos na ” (Tt 1.13); “Repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.2); “Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade” (Tt 2.15).

De mais a mais, não denunciá-los seria conivência com a falsidade. Segundo Caldas Aulete, “conivência significa tantodissimulaçãoquantofingir ignorar o mal praticado por outrem”. Significa aindapropósito premeditado de não contrariar”, ou antes, “de encobrir a falta de alguém”. É o que chamamos cumplicidade.

Logo, o ministério cristão que não aponta o erro de seus pastores a fim de corrigi-los e restaurá-los incorre no pecado da conivência ou da cumplicidade com o erro. Ao mesmo tempo, se o pastor que se diz autêntico não denuncia o falso, torna-se também conivente com a falsidade. É como se de propósito permitisse que o inimigo ficasse à vontade para se aproveitar da lavoura do Reino. Como se diz na linguagem popular, é o mesmo que deixar a raposa tomar conta do galinheiro.

Diz a Palavra (1Sm 3 e 4) que os filhos do sacerdote Eli, Finéias e Hofni, que também eram sacerdotes e portanto ministros de Deus, eram ímpios e não se importavam com o Senhor, tornando-se adúlteros e aproveitadores em atividade no Templo. No entanto, por ser conivente com o pecado dos filhos, o sacerdote Eli foi duramente castigado pelo Senhor. Disse Deus a Samuel que julgaria a família de Eli de forma definitiva, por causa do pecado dos filhos, pois o sacerdote estava ciente da má conduta deles, e não os punia.

De fato, a revelação de Samuel cumpriu-se quando o povo de Israel foi derrotado pelos filisteus. Nessa batalha, morreram Finéias e Hofni, e a arca do concerto foi tomada. Com a trágica notícia da morte dos filhos, da derrota de Israel e do despojo da arca, o sacerdote Eli, com 98 anos de idade, arqueando-se para trás em sua cadeira, caiu, quebrou o pescoço e morreu. Afinal, não devemos ser cúmplices dos ímpios (Êx 23.1).

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