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A restauração do pastor infiel
Pedro Liasch Filho

Certo pastor vivia em adultério, escondendo o pecado da igreja e de todo o mundo, menos de Deus, é claro. Quando foi descoberto, justificou-se dizendo que, embora estivesse no cargo de pastor, assim como todos os homens, também estava sujeito ao pecado. Disse, porém, que já havia sido perdoado, pois Deus ama os pecadores.

No entanto, ainda que Deus ame os pecadores, ninguém, muito menos o pastor, pode ignorar o pecado nem as condições impostas pela Bíblia para obter o perdão e ser restaurado. Tais condições, além de imutáveis, estão explícitas na Palavra, segundo a qual, em primeiro lugar o pecado, seja de adultério, seja de qualquer outra natureza, não pode ser encoberto, até porque ninguém conseguiria escondê-lo de Deus. Não é o Senhor aquele que enche os céus e a terra? (Jr 23.24). Além disso, de seu trono nos céus, os olhos do Senhor observam e examinam os filhos dos homens (Sl 11.4).

Depois, nenhum ministro de Cristo deve ignorar a doutrina a respeito da perversidade do pecado, senão Jesus não teria se manifestado para tirar os nossos pecados, uma vez que nele não há pecado. “Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu [...] Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio [...] Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1Jo 3.6, 8, 9). E mais: “Todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (Jo 8.34).

Essas passagens, que às vezes não são bem compreendidas, querem dizer que o pecado, caracterizando o afastamento ou o abandono dos padrões divinos, caso venha a ser praticado constantemente, como meio ou estilo normal de vida, torna-se intolerável perante Deus. No entanto, se o pecado vier a ser confessado e abandonado, será expiado pelo sangue do Cordeiro que “nos purifica de todo o pecado” (1Jo 1.7).

Todavia, se o pastor vive conscientemente no pecado, em que circunstância e a quem compete perdoá-lo, se é que ele buscou a reconciliação? Segundo a lei do amor e do perdão, devemos ter a graça de não odiar ninguém e de perdoar a todos. Logo, supõe-se que também devamos perdoar o obreiro faltoso, seja em pecado de impureza sexual, seja de outra natureza. Na verdade, só nos compete perdoá-lo se as suas ofensas também nos atingirem pessoalmente. Não há como perdoar alguém por ofensas cometidas a outrem. Não se pode ofender alguém e esperar o perdão de outrem.

Embora atinja também a igreja de Cristo, o pecado do obreiro — mau comportamento perante a igreja ou a sociedade, insubmissão, rebeldia, divisão ou adultério ou qualquer outro — é praticado contra Deus, porque, desobedecendo à Palavra, ele se comporta de modo contrário aos princípios cristãos e à autoridade eclesiástica.

O obreiro em pecado está contrariando esta passagem: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1Co 1.10). Está também em conflito com o texto que diz ser necessário que o bispo se torne irrepreensível, moderado, sensato, respeitável, não apegado à bebida como ao vinho, nem violento, porém amável, pacífico e não apegado ao dinheiro (1Tm 3.1-3).

Todavia, tanto no tocante ao pecado de divisão quanto no de adultério ou de outra natureza, ele atinge também a igreja porque, escandalizando o rebanho ou se rebelando contra a autoridade eclesiástica, em desacordo com a Palavra, não só promove uma cisão na comunidade, como também agride o corpo de Cristo. Se, todavia, o pastor faltoso permanece no pecado e recusa a autoridade da igreja, opondo-se à Palavra, será passível de disciplina e até de desligamento do ministério.

Paulo faz uma importante pergunta, dando ele mesmo a resposta: “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.1-4).

No entanto, o reparo de qualquer estrago causado pelo ministro pecaminoso deve ser feito in loco. Embora o pecado tenha sido praticado contra Deus, por transgressão à sua Palavra, se atingiu também a comunidade por causa de algum escândalo de imoralidade ou de uma cisão, a igreja deve participar do acordo, tanto para que ela consinta na reconciliação quanto para que os danos sofridos sejam reparados na presença da maioria dos membros.

Não há como pecar contra uma comunidade e ser restaurado em outra. Simei, por exemplo, pecou contra o rei Davi quando este fugia de Jerusalém por causa de Absalão. Mas quando regressou, Simei também voltou para encontrar-se com o rei junto ao rio Jordão, onde, na presença de toda a comitiva, reconheceu o seu erro e foi o primeiro a pedir o perdão a Davi (2Sm 19.16-23).

Diz ainda a Palavra que os pecados dos quais o transgressor deve se arrepender terão de ser especificados. Significa que os pecados cometidos são os que devem ser confessados e deixados. Não há como cometer um pecado e confessar outro. Nunca também se faz uma confissão de modo generalizado. À medida que se universaliza a confissão, também se esconde a transgressão. “Será, pois, que, culpado sendo numa destas coisas, confessará aquilo em que pecou” (Lv 5.5).

Note-se, porém, que ninguém neste mundo, nem a igreja, nem Deus pode perdoar o obreiro faltoso, se este não reconhecer o erro, não se arrepender, não buscar o perdão e não reparar o erro. A Bíblia ensina que, depois de ser reconhecido, o pecado precisa ser confessado a Deus e, se necessário, a outras pessoas envolvidas na ofensa. E, ainda, o pecado deve ser abandonado.

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13); “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Sl 32.3-5).

Dessa forma, caso o obreiro faltoso se humilhe perante Deus e se converta de seus maus caminhos, o Senhor tanto perdoará os seus pecados quanto fará prosperar a lavoura sob os seus cuidados. “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2Cr 7.14).

No entanto, se os ministros infiéis de hoje, desprezando a disciplina, não se tornarem sensíveis à voz do Espírito, rejeitando o apelo do Senhor a que se arrependam, se convertam e abandonem os maus caminhos, a situação caótica em que se encontra a lavoura do Reino em nossos dias será a mesma da época da primitiva Janela 10/40, se não pior, uma vez que, proporcionalmente, a ruína será muito maior.

Cumpre, pois, aos semeadores de Cristo decaídos da graça e desqualificados para a lavoura do Reino ouvir e acatar a advertência da Palavra ministrada amorosamente por pastores fiéis, mesmo que de maneira severa. É hora de se arrepender e voltar ao Caminho, uma vez que, perdurando o fracasso, até que surjam pastores fiéis, a ruína da obra evangélica será inevitável. Além do mais, a graciosa obra da redenção de Cristo será interrompida, como de fato e lamentavelmente já aconteceu no passado.

Assim, reconhecendo as razões por que tem fracassado a lavoura do Reino, decerto não encontraremos meios para sair da crise em que vive a igreja de hoje, mas também com a ajuda do céu acharemos na terra o caminho para viver e promover o maior reavivamento de que não de coração almejamos, como ainda urgentemente necessitamos. E, por fim, dentro e fora da atual Janela 10/40, principalmente dentro dela, haveremos de conseguir a maior e a mais abençoada colheita da lavoura do Reino, jamais conseguida em todos os tempos.

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