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Convertendo joio em trigo
Pedro Liasch Filho

Em determinada igreja do interior de São Paulo, um jovem e dedicado pastor, com mulher e quatro filhos, trabalhava duro não só na condução do rebanho, mas também como servente de pedreiro, ajudando na construção do templo. Quando o prédio já estava quase pronto, infiltrou-se na igreja um homem de nome Floriano, que, dizendo-se pastor, vindo de outro estado, ofereceu-se para auxiliar o pastor local, pois “queria colaborar” no progresso da obra.

No entanto, o que o ingênuo pastor da igreja local não sabia é que o pastor Floriano pretendia tomar o rebanho para si. Como todo falso pastor que se preze sempre se apresenta disfarçado de ovelha, de início ninguém percebeu as suas reais intenções. O homem era “uma bênção”: procurava ser atencioso com os membros da igreja, preocupava-se em ser agradável a todos, orava pelos doentes e visitava as famílias.

Mas não demorou muito para que as garras do lobo começassem a se mostrar. Para conseguir o seu objetivo, adotando a estratégia dos políticos, passou a propagar infundadas maledicências a respeito do pastor local, provocando desavenças e conflitos entre o rebanho. Destacando as próprias virtudes, enquanto desprezava as qualidades do outro, resolveu também caluniar o pastor local, dizendo a todos que ele fora excluído de outro ministério por haver promovido uma cizânia.

Uma carta do antigo ministério, contendo honrosas recomendações ao pastor local, esclareceu jamais ter havido divisão alguma. O mal, porém, já havia sido perpetrado. Então, em uma assembléia da igreja, ele foi afastado. O fato é que, contaminados por uma mentira que na boca do povo passou a ser verdade, entristecendo o Espírito, alguns crentes se deixaram levar pelo falso pastor e causaram grande dano ao rebanho de Cristo.

Isso nos faz lembrar outra parábola, a do joio e do trigo. Jesus contou aos discípulos que um homem semeou boa semente em seu campo, mas enquanto dormia veio o inimigo e semeou o joio no meio do trigo. Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os seus servos, então, perguntaram-lhe se podiam arrancar o joio do meio do trigo, mas ele respondeu que não deveriam fazê-lo, porque, ao tirar o joio, arrancariam também o trigo.

Determinou que os deixassem crescer juntos até a colheita, quando ajuntariam primeiro o joio, para ser queimado, e depois o trigo, para guardá-lo no celeiro (Mt 13.24-29). Assim, a colheita seria salva.

Imagine, em uma hipótese absurda, que o dono da lavoura, ignorando o joio no meio do trigo, os deixasse crescer juntos até amadurecerem e em uma só colheita os ajuntasse no mesmo celeiro. Ora, seria isso uma grande estupidez, pois tornaria o fruto da lavoura totalmente inaproveitável, já que constituiria o que chamamos colheita espúria. É o que lamentavelmente acontece na lavoura do Reino.

Embora a Parábola do joio e do trigo tenha sido por Jesus aplicada ao fim do mundo, quando os filhos de Deus (o trigo) serão separados dos filhos do Maligno (o joio), na lavoura do Reino ela pode ter outra aplicação. No caso do joio e do trigo misturados em uma só colheita, por exemplo, ela se tornaria espúria, totalmente inaproveitável para o agricultor. No Reino de Deus, a convivência entre crentes carnais, na figura do joio, e crentes espirituais, na figura do trigo, constitui de igual modo grande obstáculo à colheita genuína, já que Espírito e carne não combinam. “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita” (Jo 6.63).

Paulo diz na Carta aos Gálatas que, vivendo no Espírito, o cristão de modo nenhum satisfará os desejos da carne, pois esta deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito, o que é contrário à carne. Desse modo, a convivência pacífica entre crentes espirituais e cristãos carnais na mesma comunidade é impossível, uma vez que, vivendo em conflito, os carnais, ao contrário dos espirituais, andando na contramão, não conseguem fazer o que desejam — por exemplo, viver em união.

Ora, nenhuma igreja contaminada pelas obras da carne, a saber, pela imoralidade, inveja, discórdia, egoísmo, dissensões, ciúmes, facções e divisões (Gl 5.16-19), que vive por isso desunida, pode produzir frutos espirituais. Assim, o permanente conflito entre cristãos espirituais e crentes carnais, conseguintemente, sem espiritualidade plena, impede que a igreja viva em comunhão. E sem comunhão não pode obter colheita genuína.

Se, por um lado, a produção de frutos espirituais depende da união entre os membros da igreja, por outro, a igreja desunida não só será incapaz de produzir frutos espirituais, como também, permanecendo desunida, perderá a sua utilidade como corpo de Cristo, tornando-se também inútil para o Reino. Quer isso dizer que, se a igreja não se libertar das obras da carne e permanecer desunida, fracassará inexoravelmente.

A Palavra ensina que todo reino dividido contra si mesmo será arruinado e que toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá (Mt 12.25). Em perfeita comunhão, porém, todo o corpo ajustado cresce e se edifica em amor, à medida que cada parte cumpre a sua função (Ef 4.15, 16).

Significa dizer que a lavoura do Reino contaminada pelas obras da carne (o joio), caracterizadas por dissensões, discórdia e facções e conseqüentemente por imoralidades, impurezas, ódio, ciúmes, ira, egoísmo, inveja, embriaguez e coisas semelhantes (Gl 5.19-21), jamais poderá produzir frutos espirituais. E, caso venha a produzir alguns, serão frutos espúrios, inaproveitáveis para o Reino de Deus.

A propósito, a igreja de Corinto, faccionada com imoralidade, discórdia e dissensões mundanas, não só deixara de produzir frutos espirituais, mas também se tornara escândalo para os incrédulos, pois por toda parte se ouvia a respeito da imoralidade que havia entre eles, como não existia nem mesmo entre os ímpios — incesto, por exemplo (1Co 5.1).

Assim, produzindo os inaproveitáveis frutos da carne, essa igreja foi severamente advertida por Paulo: “Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento?” (1Co 3.4-6).

Para que os crentes carnais de Corinto fossem plenamente restaurados, Paulo disse-lhes que, ao visitá-los outra vez, não queria vê-los em brigas, invejas, ira, divisões, calúnias, intrigas, arrogância e desordem. Queria ter certeza de que todos os envolvidos com impureza sexual e divisões houvessem realmente se arrependido e já estivessem espiritualmente recuperados (2Co 12.20, 21).

Lembre-se de que a comunhão dos santos, que depende de sua renovação espiritual, significa poder e autoridade espirituais, pois representa a virtude do Espírito Santo, concedida por Deus tanto aos ministros de Cristo quanto a toda a comunidade. No entanto, será impossível manter a unidade cristã se uns e outros, pastores e membros do rebanho, se tornarem crentes carnais, vivendo segundo os padrões mundanos da natureza humana.

A comunhão depende da espiritualidade dos membros, pois segundo Paulo o crente espiritual não vive segundo a carne, mas segundo o Espírito. E o que vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja, mas quem vive de acordo com o Espírito tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte e constitui inimizade contra Deus, mas a mentalidade do Espírito é vida e, conseqüentemente, paz com Deus. Assim, quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus (Rm 8.4-8).

Se, por um lado, os pastores carnais não produzem frutos espirituais e desagradam a Deus, por outro, ainda o aborrecem, uma vez que, sendo responsáveis diretos pelo fracasso da lavoura do Reino, não promovem o saneamento da obra, razão pela qual não há colheita genuína.

No entanto, pela exposição da Palavra no poder do Espírito Santo, compete aos autênticos semeadores de Cristo não permitir que se plante o joio na lavoura do Reino. E, caso o plantem, não devem arrancá-lo, para não prejudicar o trigo. Aliás, fazendo uso dos recursos do Espírito, cabe-lhes tentar transformar o joio em trigo. O Espírito não só convence do pecado, da justiça e do juízo, como tem poder para regenerar. Na verdade, pode transformar cristãos carnais (joio) em crentes espirituais (trigo).

Diz a Bíblia que, havendo se manifestado, da parte de Deus a sua bondade e o seu amor, não por causa de nossos atos de justiça, mas por sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, o qual derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo (Tt 3.4-6). Na verdade, o Espírito não só pode regenerar e santificar os crentes carnais, como também é capaz de colocá-los em perfeita comunhão com Deus e unificar os irmãos em amor. Se, por um lado, aquele que diz estar bem com Deus não pode andar nas trevas do pecado, pois seria mentiroso, por outro, se ele andar na luz, como Deus está na luz, terá comunhão com os demais cristãos e com Deus, e ainda o sangue de Jesus Cristo o purificará de todo pecado (Jo 1.5-7).

Observe-se que a convivência frutífera dos membros de uma comunidade cristã depende do desfrute da comunhão, tanto com os demais irmãos — os membros do corpo — quanto com Jesus — a  Cabeça. Ainda assim, se passar a viver no pecado da carnalidade, causando problemas de imoralidade e divisões, o progresso espiritual da igreja será nulo, como era a igreja de Corinto, razão pela qual, no propósito de restaurá-la, Paulo, em sua primeira carta, exortou-a severamente.

Tal objetivo, porém, já teria sido alcançado, pelo que se nota na expressão de Paulo na Segunda Carta aos Coríntios, em comparação com a primeira. Enquanto nesta o tom era de exortação, naquela era de conciliação, pois pelas informações de Tito (7.6-15) havia mostras de que a igreja estava em franco progresso espiritual, tendo já resolvido o problema das divisões e até mesmo o doloroso caso do homem acusado de impureza sexual.

De fato, existe poder na comunhão dos crentes. Segundo a Palavra, é como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba de Arão até a gola de suas vestes. Portanto, a união dos irmãos, principalmente dos membros do ministério cristão, tanto para com os membros do corpo quanto para com Deus, figuradamente é como o precioso óleo com o qual se ungia o sacerdote, a unção do Espírito Santo que dá vida e poder ao corpo de Cristo.

A unção é também representada em outra figura, a do orvalho do monte Hermom, que ficava no Antilíbano. Com 2.800 metros de altura e sempre coberto de neve, o degelo do Hermom dá origem ao rio Jordão, ocasionando ainda uma orvalhada constante sobre os montes de Sião. Representando a unidade cristã, o orvalho do Hermom é o chuvisco suave do poder de Deus que fertiliza o solo espiritual da igreja de Cristo (Sl 133).

Diz a Palavra que nós somos concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como Pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para se tornar santuário santo no Senhor. Nele, juntos somos edificados para morada de Deus em Espírito (Ef 2.19-22).

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da , e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.11-13).

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