Home
Introdução
Artigos
Avivamento
Curiosidades
Estudos Bíblicos
Edificação
Igreja Pedra Viva
Jóias Raras
Minhas Reflexões
Ministério Cristão
Novas de Alegria
Seleções Notáveis
Fale Comigo
Recomende
teste
Ministério Cristão
Enviar para um amigo | Versão para impressão | Voltar |  Recomendar
O título de apóstolo
Pedro Liasch Filho

O título de apóstolo

A presunção de muitos pastores tem sido tão grande que eles, não satisfeitos em se chamar simplesmente pastores ou bispos, passaram a adotar a nominação de apóstolo, e fazem questão se serem chamados de apóstolos. Certa ocasião, na inauguração de uma de suas igrejas, um desses apóstolos foi cumprimentado por um presbítero da congregação, que simplesmente o chamou pelo nome próprio. Imediatamente o reverendíssimo chamou o pastor da igreja e exigiu que todos o chamassem de apostolo.

Contudo, tratando-se de ministros dos dias atuais, é legítimo o uso do título de apóstolo? Teria algum ministro de hoje o direito de se chamar apóstolo? Segundo os mais abalizados teólogos, salvo o dom do ministério de apóstolos (Ef 4.11), ou seja, o exercício de funções missionárias, por razões incontestáveis, o título de apóstolo, que no tocante ao colégio dos Doze terminou com a morte de João, não podia ser transferido a terceiros nem ser usado nos dias de hoje por quem quer que seja, não só por razões históricas, mas também por princípios teológicos.

O termo apóstolo significa “enviado” e ocorre cerca de oitenta vezes no Novo Testamento, setenta das quais se referem ao colégio apostólico designado por Jesus: “Quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, aos quais a quem também deu também o nome de apóstolos...” (. Lucas 6.13). Os demais casos referem-se ao termo comum “apóstolo” — pessoas enviadas em missões evangélicas, como Andrônico, Júnias (Rm 16.7), Barnabé (At 14.14) e outros. No entanto, nenhum destes ostentavam o título de apóstolo

Escolhidos dentre os milhares de seguidores de Jesus, os apóstolos foram, em sua época, chamados para estar em sua companhia, bem como para ser preparados e designados por ele para pregar o evangelho. Além disso, obtendo dele autoridade para curar enfermos e expulsar demônios, tornaram-se testemunhas tanto de sua obra quanto de sua pessoa e, posteriormente, de sua ressurreição.

Champlin e Bentes, em sua Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia, enumeram várias qualificações que jamais poderiam ser atribuídas a qualquer ministro que se autodenomine apóstolo, senão àqueles que foram apóstolos de Cristo, razão pela qual ninguém nos dias de hoje pode reivindicar o título de apóstolo.

1. O fato de os apóstolos terem sido testemunhas oculares da pessoa, obra, vida, morte e ressurreição do Senhor. “Vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio” (Jo 15.27).

No tocante a Paulo, embora os apóstolos tivessem elegido Matias o substituto de Judas Iscariotes (At 1.23, 26), esse fato mostra que eles não previam, naquele momento, um ministério apostólico entre os gentios, tal como o que Paulo exerceu, por comissão direta de Jesus, já ressuscitado e assunto aos céus. Do contrário, talvez não se tivessem preocupado em preencher o número dos Doze tão prontamente quanto o fizeram. Alguns estudiosos acham que a verdadeira escolha divina para tal substituição, feita pelo Espírito Santo, foi a de Paulo, até porque o nome de Matias nunca mais é mencionado, nem no restante do livro de Atos, nem em todo o Novo Testamento.

De fato, por várias razões, o apostolado de Paulo fica evidenciado. Primeiro, porque o recebeu de Jesus por revelação, quando o viu ressuscitado (Gl 1.11, 12); segundo, porque apresenta os seus sofrimentos como prova de seu apostolado (2Co 11.22-31); terceiro, porque operou milagres próprios dos verdadeiros apóstolos de Cristo (2Co 12.11, 12); quarto, porque se destacou com dons especiais, acima de qualquer outro apóstolo, para revelar à igreja de Cristo a sua missão e o seu destino (2Co 11.6; Gl 2.2). Só as cartas de Paulo totalizam cerca de 30% do Novo Testamento.

2. O fato de os apóstolos terem sido escolhidos pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Disse-lhes Jesus: “Não vos escolhi a vós os doze?” (Jo 6.70); “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15.16). Lemos também: “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai)...” (Gl 1.1, 2).

3. A validade do ofício apostólico foi autenticada por um ministério especial e por obras miraculosas. “Chamando os seus doze discípulos, [Jesus] deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal” (Mt 10.1); “Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos [...] Dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima. E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais. De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos; os quais eram todos curados” (At 5.12-16).

4. O fato de que os apóstolos foram os precursores tanto do Reino de Deus quanto da igreja cristã. Jesus disse-lhes: “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus” (Mt 10.7). Paulo declarou que os crentes de Éfeso, como igreja, estavam sendo edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como Pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para se tornar santuário no Senhor (Ef 2.20, 21).

5. Os apóstolos tiveram no passado e terão no futuro um ofício especial. Na verdade, até mesmo no Reino de Cristo os aguarda uma posição de destaque, que ninguém mais poderia preencher: “Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel” (Mt 19.28).

Além da posição de destaque preparada para os doze apóstolos no futuro, mencionada por Champlin e Bentes, outra nos chama a atenção. Descrevendo a glória da nova Jerusalém, o apóstolo João diz que além das doze portas principais, nas quais estavam inscritos os nomes das doze tribos de Israel, a cidade tinha uma grande muralha que por sua vez tinha doze fundamentos, sobre os quais estavam inscritos os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Ap 21.9-14).

Considerando-se também que o verdadeiro apóstolo tinha de ter testemunhado pessoalmente o ministério e a ressurreição de Jesus, somente os apóstolos comissionados por ele e posteriormente Paulo, que o encontrou vivo no caminho de Damasco, tiveram esse privilégio: “[Jesus] foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (At 1.2, 3).

Tornando-se de igual modo testemunha ocular da ressurreição de Jesus, Paulo foi o último dos apóstolos a receber a comissão apostólica diretamente de Jesus. “Faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11, 12).

As expressões “colunas” (Gl 2.9) e “fundamento dos apóstolos” (Ef 2.20) são designações que reconhecem o fato de haverem sido os apóstolos discípulos de Jesus desde o batismo de João (o princípio do evangelho) até a ascensão de Cristo no monte das Oliveiras. Familiarizados com a vida e a obra de Cristo, eram testemunhas oculares tanto de seu ministério quanto de sua ressurreição.

Se, por um lado, em significado profético, as doze tribos de Israel correspondem à liderança de um povo redimido por ocasião da Aliança Mosaica (Êx 6.6-8), por outro, os doze apóstolos foram comissionados para liderar o povo de Deus, os crentes redimidos pelo sangue da Nova Aliança, estabelecida no Calvário.

Note-se também que o termo “fundamento dos apóstolos” significa que eles tiveram participação efetiva na fundação do cristianismo e na formação do Novo Testamento. Aos apóstolos foi dada a capacidade de se lembrarem dos ensinamentos de Jesus, para que os pudessem transmitir aos demais discípulos, razão pela qual foram inspirados por Deus tanto para escrever quanto para inspecionar as Escrituras do Novo testamento.

Estando ainda com eles, Jesus afirmou que lhes mandaria da parte do Pai o Consolador, o Espírito Santo para lhes ensinar todas as coisas e fazer lembrar de tudo que lhes havia transmitido (Jo 14.25, 26). Os próprios apóstolos, na verdade, tinham consciência de que os seus escritos eram de inspiração divina, com a mesma autoridade do Antigo Testamento.

Disso dão testemunho estas passagens: “Havendo recebido de nós [apóstolos] a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes” (1Ts 2.13); “Falando disto [Paulo], como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2Pe 3.16).

Observe-se que o termo grego graphê, registrado em 2Pedro 3.16, significando “Escrituras”, ocorre mais de cinqüenta vezes no Novo Testamento e faz referência ao Antigo Testamento — portanto, à Palavra de Deus. Assim, nessa passagem, Pedro reconhece que as epístolas de Paulo são inspiradas por Deus e têm a mesma autoridade das Escrituras do Antigo Testamento.

Na verdade, em virtude do ofício apostólico, os apóstolos tinham o privilégio de receber a revelação da Palavra e escrevê-la para edificação dos crentes. Historicamente, era esse o princípio de avaliação para que os documentos apostólicos fossem reconhecidos pela igreja como Escrituras do Novo Testamento.

Considerando-se que Paulo foi o último dos apóstolos comissionados por Jesus, tendo sido testemunha ocular da ressurreição de Cristo (1Co 15.8), esse fato basta para afastar a possibilidade de ter havido depois dele algum apóstolo escolhido por Jesus. Assim, ninguém, a partir do século II, poderia reivindicar o título de apóstolo, seja por haver recebido o apostolado diretamente de Jesus, seja por havê-lo recebido por visão ou revelação.

Vale dizer que, histórica e biblicamente, quem não tivesse sido escolhido por Cristo ou recebido diretamente de Deus a inspiração para revelar a sua Palavra não podia ser considerado apóstolo. Esse fato é confirmado não só pelas passagens bíblicas aqui referidas, como também pela história da igreja no tocante ao processo de verificação do cânon, que, tendo sido concluído já no primeiro século e preservado sem alteração por mais de 2 mil anos, demonstra não haver base bíblica para que alguém se arrogue o direto ao ofício de apóstolo.

Ora, com base nesses fatos, bem como no tocante a experiência pessoal singular que os apóstolos tiveram com Cristo, que jamais poderiam ser reproduzidas por qualquer outro ministro em tempo algum, e também pelo fato de haverem recebido um ofício especial que se tornou o alicerce da igreja de Cristo, ratificado na expressão “edificados sobre o fundamento dos apóstolos” (Ef 2.20), e ainda pela designação dos doze tronos em que se assentarão para julgar as doze tribos de Israel, está claro que não pode haver transferência do ofício apostólico, a saber, do título de apóstolo a terceiros. Assim, ninguém tem o direito de ser designado nem de se autodenominar apóstolo.

Tanto é verdade que nem mesmo os mais respeitados bispos da igreja primitiva, como, por exemplo, Tito, supervisor das igrejas cretenses; Inácio, o terceiro bispo de Antioquia; Policarpo, o principal bispo de Esmirna; Aniano, bispo de Alexandria; Justo, bispo de Jerusalém; Higino, bispo de Roma; Polícrates, bispo de Éfeso; Dionísio, bispo de Corinto; João Crisóstomo, bispo (reformador) de Constantinopla; e centenas de outros, cujos nomes seria exaustivo mencionar, nenhum deles foi designado apóstolo de Cristo. E nenhum deles teve a ousadia de se autodenominar apóstolo.

Lembre-se, demais disso, de que, tendo sido fiéis a Cristo tanto quanto o foram os doze apóstolos, esses bispos também foram perseguidos, torturados e mortos por causa do nome de Jesus. Mas nem por isso foram designados apóstolos, nem eles mesmos reivindicaram o apostolado.

Além disso, alicerçados no fundamento dos apóstolos, eles conheciam muito bem a doutrina apostólica, segundo a qual, no ministério da igreja não se consagrava apóstolos, senão apenas presbíteros e diáconos, e sabiam que a função do presbítero era pastorear (1Pe 5.1, 2) e que o presbítero supervisor era denominado bispo, cuja função era superintender outras igrejas e os seus respectivos presbíteros (Tt 1.5).

 As credenciais do apóstolo

Seriam de fato varões apostólicos os pastores ou bispos de hoje que se autodenominam apóstolos? Constituem bom exemplo para o rebanho, como o foram os apóstolos de Cristo? São merecedores desse digníssimo título? Além de não haver prova escriturística de que o título de apóstolo perdure na igreja até hoje, aqueles que ostentam esse título apresentam as devidas qualificações?

Comentando notícias da imprensa, segundo as quais alguns desses autodenominados apóstolos foram argüidos na justiça por crimes caracterizados como estelionato, fraude fiscal e falsidade ideológica, um amigo, advogado cristão, fez o seguinte comentário: “Ou esses ditos apóstolos desconhecem totalmente a Palavra de Deus ou de fato são aproveitadores do Reino”.

Alguns desses ministros infiéis são tão desprovidos de pudor que, levados às barras do tribunal por causa de sua má conduta, sem nenhum constrangimento cometem o ultraje de citar a Bíblia para se defender, afirmando estar sendo perseguidos por causa do evangelho. No entanto, a Palavra diz que, se o crente, independentemente de ser ele apóstolo, cardeal, padre, pastor ou bispo, vier a passar por algum sofrimento, que não seja tal sofrimento causado por mau comportamento.

Deixa-nos isso bem claro o apóstolo Pedro: “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (1Pe 4.14-17).

Se, na verdade, os ministros que hoje se auto-intitulam apóstolos são cumpridores da Palavra, saberão também que não devem adotar indevidamente o título de apóstolo nem agir como líderes dominadores dos que lhes foram confiados, mas ser exemplo para o rebanho (1Pe 5.3). Terão de acatar a orientação de Paulo, um dos mais respeitados apóstolos, como a que foi dada a Timóteo, segundo a qual os ministros devem ser exemplos para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (1Tm 4.12).

Deverão respeitar a palavra do mesmo Paulo, dirigida aos coríntios, de que eles deveriam tomar por modelo a conduta do próprio missivista, tornando-se imitadores dele, assim como ele se tornara imitador de Cristo (1Co 11.1). Honrarão também as advertências do apóstolo feitas ao bispo Tito, de que deve o pastor dar bom exemplo para a comunidade, praticando boas obras com integridade e seriedade (Tt 2.7).

Se os pastores ou bispos de hoje, autodenominados apóstolos, são de fato praticantes da Palavra, haverão de observar a recomendação de Paulo aos bispos e diáconos de Filipos, aos quais diz que não deveriam tornar-se imitadores dele, mas também lhe seguir o exemplo. Paulo ainda os adverte quanto ao caráter de alguns falsos ministros infiltrados na igreja, com os quais deveriam ter cuidado, uma vez que eram inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.1, 17).

Se de fato os apóstolos de hoje obedecem à Palavra, estarão cientes da morte vicária de Cristo no Calvário, por meio da qual temos a remissão do pecado, a santificação e a vida eterna, mas saberão também que, na condição de simples bispos ou pastores, encarregados da obra de Deus — como bem disse Paulo a Tito —, não deverão dar motivo para repreensões nem demonstrar avidez por lucros desonestos. Ao contrário, deverão ser hospitaleiros, amigos do bem, sensatos, justos e consagrados. Tendo domínio próprio, apegar-se-ão firme e fielmente à mensagem evangélica, tal como lhes foi ensinada, para que saibam como encorajar outros pela sã doutrina e como refutar os opositores (Tt 1.7-9).

naquela época, os falsos apóstolos estavam em evidência, o que exigia dos verdadeiros todo o cuidado, a fim de que o rebanho fosse preservado. Eram obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo (2Co 11.13), o que não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz (2Co 11.14, 15). E Pedro lembra que muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade (2Pe 2.1,2).

Enviar para um amigo | Versão para impressão | Voltar |  Recomendar